1º, 2º e 3º Domingos de Dezembro (02/12 09/12 e 16/12/2012) – Começo do novo ano litúrgico C

advento_1“A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera”(cf. Sl 24,1-3). Irmãos e Irmãs, iniciamos o Tempo do Advento neste domingo(02…

/12/2012). Depois de refletirmos o tempo comum, coroado com a festa de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, é chegado o doce momento da reflexão acerca deste tempo que é a antecipação do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Advento, tempo de espera e de esperança, de atenção e de vigilância, de alegre chegada e amorosa acolhida do Deus Conosco, o Emanuel. O Advento nos faz relembrar de uma realidade muito presente em nossas vidas: a permanente espera da vinda do Senhor Jesus. É o Cristo que vem ao nosso encontro no presente e no futuro, como veio no dia de ontem, que é o passado. É uma peregrinação em direção ao Absoluto. Por isso, com o novo ano litúrgico (c), vamos estudar o Evangelho de São Lucas. Assim São Jerônimo descreve o evangelista São Lucas, cuja festa comemoramos no dia 18 de outubro: “Era discípulo e companheiro inseparável de São Paulo; nasceu em Antioquia, exercia a profissão de médico; ao mesmo tempo, cultivava as letras e chegou a ser muito versado em língua e literatura gregas. Seu gosto literário ressalta nessa preciosa História [Atos dos Apóstolos] que nos deixou da origem do cristianismo, mais completa em muitíssimos pontos que a dos demais evangelistas, melhor ordenada e de mais agradável leitura”. Todos esperamos, todos vivemos adventos, aguardando a manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus, em que Justiça e paz se abracem e todos os povos e culturas desabrochem felizes e reconciliados contemplando o Deus que vem conosco, EMANUEL, NUMA TERRA SEM MALES, que a todos acolha, especialmente aqueles que precisam de paz para viver na fraternidade de irmãos. Meus irmãos, neste domingo (02/12/2012) nos deixa uma reflexão importante sobre a presença permanente de Deus como sentido último de nossa existência e atuação em cada momento, principalmente no testemunho público e social de nossa fé perante o mundo cada dia mais secularizado e mais longe da santidade que é pedida pelo Menino encarnado no Seio Virginal e concebido em Belém. Presença que é alegria e esperança, da presença deste Deus que se alegra com nosso compromisso evangelizador e nosso engajamento no encontro com o Senhor que vem, carregando as sementes da Esperança cristã. Advento é isso, tempo de espera, mas tempo de revisão de vida, em que as coisas velhas vão dando espaço para as coisas novas para acontecer aqui e agora o Reino de Deus. Todos somos convidados a enxergar a situação que nos rodeia e acreditar que é possível resolver nossos problemas sempre contando com a graça e o auxílio de Deus Menino, o Divino Infante.   Que a liturgia inaugural do tempo do Advento contamine nossos corações com o “grand finale” da Liturgia Eucarística: “amar desde agora as coisas do céu, e caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam”. Tudo passa, só Cristo permanece, pelos séculos dos séculos, Amém!

2º Domingo do Advento – Preparai 

Preparação para a vinda do Senhor

2 domingoSomos chamados a crescer até estarmos na altura de receber Deus; mas, nesse crescimento, a força que nos anima é o próprio fato de Deus se voltar para nós. O que faz um aluno crescer é a atenção que o professor lhe dedica. O que faz uma criança andar é a mão estendida de sua mãe. Por isso, nosso crescimento para a perfeição se alimenta da contemplação do Deus que vem até nós. Na liturgia de hoje, esta perspectiva é considerada, por assim dizer, a médio prazo (no próximo domingo será a curto prazo). Lc situa no decurso da história humana o despontar do Reino de Deus, na atividade do Precursor, João Batista (evangelho). Ainda não se enxerga o “Sol da Justiça”, mas seus raios já abrasam o horizonte. A perspectiva é ainda distante, mas segura: “Toda a humanidade enxergará a salvação que vem de Deus” (Lc 3,6; cf. 1ª leitura). Para isso, João Batista prega um batismo que significa conversão, lembrando a renovação pelas águas do dilúvio, do Mar Vermelho, do Jordão atravessado por Josué.

João Batista usa a imagem do aplanar o terreno, abrir uma estrada para que o Reino de Deus possa chegar sem obstáculos. É a imagem com a qual o Segundo Isaías anunciou a volta dos exilados, liderados por Deus mesmo (Is 40,3-4; 42,16-17 etc.) e que, mais tarde, o livro de Baruc utilizou para incentivar a “conversão permanente” do povo à confiança em Deus (Br 5,7; 1ª leitura). Deus realiza sua obra, convoca seus filhos de todos os lados (Br 3,4), deixa sua luz brilhar sobre o mundo inteiro (3,3). A volta do Exílio foi prova disso (cf. salmo responsorial). Mas agora, anuncia João, vem a plenitude. Agora é preciso “aplanar” radicalmente o caminho no coração da gente.

A oração do dia fala no mesmo sentido: tirar de nosso coração todas as preocupações que possam impedir Deus de chegar até nós. Alguém pode entender isso num sentido individual. Mas não só isso. Vale também para a sociedade. Devemos tirar os obstáculos do homem e das estruturas que o condicionam. Renovação interior de cada um e renovação de nossa sociedade são as condições que a chegada do Reino, a médio prazo, nos impõe.

Portanto, o Reino não age sem nós. Não somos nós que o fazemos, mas oferecemo-lhe condições de se implantar, como um governo oferece condições a indústrias de fora para se implantar. Só que, no caso do Reino, podemos contar com os lucros do investimento … Estes lucros são “o fruto da justiça” de que Paulo fala (Fl 1,11; 2ª leitura). O Reino de Deus não vem somente pedir contas de nós; leva-nos a produzir, para nosso bem, o que Deus ama (pois ele nos ama).

O Reino já começou sua produção entre nós, desde a primeira vinda de Jesus. Porém, fica ainda para se completar. O que João pregou naquela oportunidade continua válido enquanto a obra não for completada. Somente, estamos numa situação melhor do que os ouvintes de João. Nós já podemos contemplar os frutos da justiça brotados de um verdadeiro cristianismo. Seja isso mais uma razão para dar ouvido à sua mensagem. Na medida em que transformarmos nossa existência histórica em fruto do Reino, entenderemos melhor a perspectiva que transcende nossa história, a plenitude cuja esperança celebramos em cada Advento.

Ainda dois domingos nos separam do Natal. Logo mais estaremos celebrando que Deus quer chegar até nós. Mas será que nós lhe abrimos caminho? O evangelho nos apresenta João Batista, o austero pregador de conversão. Convoca o povo para endireitar os caminhos e aplanar as estradas, a fim de que Deus nos possa alcançar.

Para quem acredita, tal esforço não é penoso, pois a chegada de Deus não significa fiscalização, mas salvação: “Todos experimentarão a salvação que vem de Deus” (Lc 3,6). Quem espera coisa boa chegar, prepara a estrada com prontidão e alegria.

A 1ª leitura canta a beleza desta salvação que Deus nos traz: a cidade vai se chamar “Paz-da-Justiça e Glória-da-Piedade”. A justiça – o plano de Deus – produz paz e bem para todos, e o respeito e amor a Deus (a “piedade”) produzem a glória, a beleza e o esplendor de nossa sociedade. O contrário é verdade também: a exploração egoísta produz conflitos, e a idolatria do dinheiro, do poder e do prazer, um mundo desigual e inumano.

Se quisermos empenhar-nos por um mundo onde Deus se sinta em casa, afastaremos alegres os obstáculos que impedem isso. Obstáculos em nosso próprio coração: egoísmo, ambigüidade, desamor … Obstáculos no coração de nossa sociedade: estruturas injustas, desigualdades ruinosas, leis que produzem monstros de riqueza ao lado de miseráveis, política em favor só de alguns e não de todos …

Os obstáculos a serem derrubados estão em parte dentro de nós mesmos e, em parte, na estrutura de nossa sociedade. Importa trabalhar nos dois níveis, e isso, com alegria. Não com rancor, próprio dos que antes odeiam os outros (e até a si mesmos) do que amam o bem … O rancor não faz Deus chegar. O que marca quem procura experimentar a “salvação que vem de Deus” é a alegria. É uma alegria limpar o caminho para que a “Paz-da-Justiça” possa chegar, ainda que custe suor e luta.

Essa “Paz-da-Justiça” não provém de uma justiça qualquer, inventada por nós e feita sob a nossa medida, conforme nossos próprios interesses. Ela está em Jesus Cristo que vem. Para conhecer esta paz, importa ver o que Jesus faz e preparar-se para fazer o mesmo, como indivíduo e como sociedade. Vivermos conforme a justiça que Jesus nos mostra, participarmos do amor que ele tem ao Pai, é isso que vai ser nosso brilho e felicidade.

O sentido do Advento e do Natal não é algo sentimental, chorar de emoção por causa de uma criancinha. É alegrar-se porque aquele que podemos chamar de “filho de Deus” veio – e sempre vem – viver no meio de nós, para com seu exemplo e sabedoria, lucidez e entrega de vida, mostrar, no concreto, o que significa o bem conforme a última instância, que é Deus – a “Paz-da-Justiça”

3º Domingo do Advento – Buscai

3 domingoO terceiro domingo do advento é conhecido como o “Domingo da ALEGRIA”. A chegada do Senhor no Natal, que se aproxima, provoca em nós uma profunda alegria.

A 1a Leitura é um Hino à ALEGRIA, anunciado por Sofonias, porque foi revogada a sentença que condenava Judá.O próprio Deus estará no meio do povo, como Salvador. “ALEGRA-TE de todo o coração, cidade de Jerusalém…não tenhas medo, Sião…O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, como poderoso Salvador…” (Sf 3,14-18)(Palavras semelhantes são pronunciadas a Maria pelo anjo…) A fonte da alegria cristã é a certeza de que Deus nos ama eestá no meio de nós com uma proposta de salvação e de felicidade.

O Salmo reforça o motivo da ALEGRIA: Alegrai-vos, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel…” (Is 12,6)

Na 2a Leitura, Paulo recomenda aos filipenses ALEGRIA,num momento em que eram perseguidos e ele próprio estava na prisão. “Alegrai-vos sempre no Senhor, repito, alegrai-vos… (Fl 4,4-7)

A alegria cristã é sinal visível da presença do Ressuscitado na comunidade.

No Evangelho, João Batista anuncia ALEGRIA pelo Salvador que vem,mas está preocupado com algo que pode estragar tudo: Os pecados…E faz um veemente apelo à CONVERSÃO… (Lc 3,10-18)

– O Povo acolhe o apelo e pergunta: “E nós, o que devemos fazer?”- João Batista apresenta o caminho da conversão, que garante a alegria: aponta 3 atitudes bem concretas para quem quer fazer a experiência da conversão e de encontro com o Senhor que vem.

1. Ao povo: Solidariedade e partilha com os necessitados:

“Quem tem 2 túnicas… comida… reparta.”

Os bens que temos são sempre um dom de Deus e pertencem a todos: Ninguém tem o direito de se apropriar deles em benefício exclusivo. – Muitas vezes nos desculpamos que não temos nada para dar… Será que não podemos sempre dar um sorriso, um gesto de amizade, um momento de escuta?

2. Aos cobradores de impostos: Honestidade e justiça:

“Não cobrar mais do que foi estabelecido…” * Quem seriam hoje esses publicanos, que usam o dinheiro com esperteza, que sonegam os impostos e exploram os humildes? – Para estes, será suficiente apenas recitar umas orações, neste Natal?

3. Aos Soldados: não exercer a violência e o abuso do poder…

“Quem tem poder…não tomar à força dinheiro de ninguém…” * Quem são as pessoas que hoje abusam da força, do cargo que ocupam… para se impor… para oprimir os mais fracos?

João aponta Três Caminhos para conseguir a alegria prometida para aqueles que acolhem o Cristo que vem:

– O Caminho da Solidariedade (partilha); – O Caminho da Justiça; – O Caminho da não-violência.

E aponta 3 pragas, das quais devemos nos libertar:

a ganância, a injustiça e o abuso do poder, realidades que estavam presentes no tempo de Jesus… e que continuam presentes ainda hoje…

E nós, “o que devemos fazer

” para poder gozar a verdadeira alegria do Natal?

– Você Pai, você Mãe, o que deve fazer para criar esse clima de alegria em sua casa? – Você Jovem, que encarna a força e a criatividade, já descobriu o que deve fazer para conquistar essa verdadeira alegria?- Você, que está de mal… e não quer perdoar: o que deve fazer?- Você, que fala demais da vida alheia: o que deve fazer?- Você, que bebe demais e inferniza sua família: o que deve fazer?- Você que não tem tempo para Deus, para a família, nem para a Novena… só para os negócios: o que deve fazer?

– Você, que com orgulho gosta de aparecer e discrimina os mais humildes: o que deve fazer?- Você, que não é sincero… nem fiel… nem honesto: o que deve fazer?

A ALEGRIA CRISTÃ sempre foi um sinal da libertação messiânica… Uma grande alegria anunciaram os anjos em Belém aos pastores…

Damos sempre testemunho dessa alegria? – Será que as nossas comunidades são espaços onde se nota a alegria pelo amor e pela presença de Deus?- Será que semeamos ao redor de nós mais alegria, ou tristeza?- Semear mais alegria não poderia ser também para nós um gesto concreto de conversão em preparação desse Natal?

Paz amados(as)

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