Dei Verbum – Cânon Bíblico e Interpretação

Li ontem a Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina (promulgada no dia 18 de novembro de 1965 pelo Papa Paulo VI no Concílio Vaticano II) que trata com muita firmeza os ensinamentos da Santa Igreja sobre o aspecto da Revelação Divina, em especial a íntima relação entre os pilares da doutrina católica (Sagrada Tradição, Sagrada Escritura e Sagrado Magistério). Sendo assim, fica fácil entender a uniformidade no ensinamento católico, haja vista a autenticidade e a verdadeira condição (múnus) de ensinar infalivelmente sobre a fé e moral. Nesse sentido, a interpretação correta das Sagradas Escrituras, a definição do Cânon bíblico, dentre outros assuntos, são matérias específicas que precisamos sempre “ouvir, ler, entender e praticar” de acordo com a doutrina católica.

A Dei Verbum enfatiza que “a economia cristã, pois, como aliança nova e definitiva, jamais passará, e já não há que esperar nenhuma nova revelação pública antes da glorioso manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo” (cf. 1Tm 6,14 e Tito 2,13 – n. 4), ou seja, Deus na Sua infinita bondade já revelou Seu amor a humanidade, ao ponto de termos um caminho certo a seguir para alcançarmos a salvação. No entanto, é preciso estar atento ao que diz a Palavra de Deus revelada na Sagrada Tradição e na Sagrada Escritura: “Portanto esta Sagrada Tradição e Sagrada Escritura de ambos os Testamentos são como o espelho em que a Igreja peregrinante na terra contempla a Deus, de Quem tudo recebe, até que chegue a vê-Lo face a face como é” (cf. 1Jo 3,2 – n. 7). Ademais, uma não exclui a outra, ao contrário: “A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura estão portanto entre si estreitamente unidas e comunicantes. Pois promanando ambas da mesma fonte divina, formam de certo modo um só todo e tendem para o mesmo fim (…) Por isso, ambas (Escritura e Tradição) devem ser aceitas e veneradas com igual sentimento de piedade e reverência” (n. 9).
Por isso, entender devidamente a Revelação Divina é estreitar os nossos corações ao que é ensinado continuamente pela Esposa de Cristo – a Igreja Católica Apostólica Romana – sendo esta detentora do fidei depositum (depósito da fé): “O ofício de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo (…) Fica portanto claro que segundo o sapientíssimo plano divino a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja estão de tal maneira entrelaçados e unidos, que um não tem consistência sem os outros, e que juntos, cada qual a seu modo, sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas” (n. 10). A Constituição Dogmática é mais clara ainda ao afirmar: “Para apreender com exatidão o sentido dos textos sagrados, deve-se atender com não menor diligência ao conteúdo e à unidade de toda a Escritura, levadas em conta a Tradição viva da Igreja toda e a analogia da fé (…) Pois todas estas coisas concernem à maneira de interpretar a Escritura, estão sujeitoas em última instância ao juízo da Igreja, que exerce o divino mandato e ministério de guardar e interpretar a palavra de Deus” (n. 12)
Sejamos fieis a Palavra de Deus, assim seremos também fieis a Igreja de Cristo!
Para quem deseja ler a Dei Verbum na íntegra segue o link
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