Vida e Morte na visão de Platão

A morte sempre foi vista como a única grande certeza para todos aqueles que vivem. Não há quem não tenha presenciado a morte de um ente querido. A percepção da inevitabilidade da morte e a indagação do que ocorrerá após o falecimento do corpo é sempre uma investigação fascinante. Os diálogos entre Sócrates e seus discípulos são muito significativos e abordam de uma maneira clara e lógica a questão da natureza da vida e da morte e da complementaridade entre pólos opostos.

A investigação sobre a morte é tida por Platão como algo fundamental. Ele chega a dizer que filosofia é o estudo da morte. Segundo ele, qualquer homem que tem o espírito filosófico deve estar disposto a morrer (mas não a tirar a sua própria vida); deve estar pronto para ser liberto do corpo e dos grilhões da matéria. No Fédon, o assunto morte adquire uma relevância ainda maior, já que o debate se dá entre o momento em que Sócrates é condenado à morte e o instante da morte em si, quando ele bebe a cicuta – um poderoso veneno.

Logo no início do livro, Sócrates, tendo sido libertado das correntes que prendiam as suas pernas, comenta: “Como é estranho isso que os homens denominam prazer. Ele está intimamente ligado à dor, que acreditamos ser o seu oposto. Embora essas duas sensações não se apresentem simultaneamente, aquele que persegue uma das duas é levado a experimentar a outra. É como se fossem inseparáveis. Agora que me soltaram das correntes, sobreveio-me um sentimento de prazer; o prazer de estar liberto. Ocorreu uma substituição de um pelo outro”.

EQUILÍBRIO E JUSTIÇA

De acordo com a sabedoria chinesa, os opostos se sucedem alternadamente. Depois de uma época de abundância necessariamente advém uma época de escassez. O apogeu sempre dá lugar ao declínio. Depois da tempestade, vem a bonança. Quando as trevas chagam ao máximo, a luz começa a crescer gradualmente substituindo a escuridão. O mesmo ocorre nas estações do ano. A partir do momento quando o verão chega ao seu auge, o calor começa a diminuir de intensidade e os dias vão progressivamente ficando mais curtos. Aos poucos o frio vai substituindo o calor. Quando, no clímax do inverno, o frio chega ao seu pico, mais uma vez ocorre uma reversão do ciclo e, a partir daí, o tempo começa a esquentar novamente e o sol vai tomando o lugar das trevas. Vemos que um princípio sempre leva consigo o seu oposto complementar.

Por isso os chineses falavam que a vida é uma perpétua alternância entre os princípios Yang e Yin, o positivo e o negativo, o masculino e o feminino, o bem e o mal, a inspiração e a expiração. Segundo eles, dentro do Yin está contido o Yang e dentro do Yang está contido o Yin. Na realidade os dois princípios estão harmonicamente integrados no todo. A alternância cíclica entre esses dois aspectos é vista como parte essencial da expressão da vida na natureza.

É importante que estejamos cientes e preparados para observar esse fato em nossas vidas. Sabemos que depois do dia sempre vem a noite, e que depois da noite sempre vem o dia. Basta observar a natureza. Isso ocorre porque, quando se chega a um extremo, surge uma tensão, uma força, que puxa no sentido oposto. Essa tensão é criada pelo potencial que existe entre os pares de opostos. Os opostos se atraem. O homem atrai a mulher e a mulher atrai o homem. Na natureza, todos os pares de opostos se atraem: o positivo e o negativo, o bom e o mau, a luz e a sombra, etc.

Quando estudamos a história observamos que toda a civilização cresce, se desenvolve, chega ao seu ápice, e depois, inevitavelmente, começa a decair até ser vencida ou desaparecer. Observa-se que nada pode ficar continuamente no mesmo estado. Tudo que sobe tem de descer, tudo que enche deve se esvaziar. Tudo que se torna maior tem que ter sido menor e vice-versa.

Quando uma possa está em evidência, por muito tempo, ela acaba sendo forçada pelas circunstâncias da vida a sair de evidência. Ninguém fica no topo o tempo todo. Os taoístas dizem: se você quer derrubar uma pessoa, coloque-a num pedestal. Certamente ela vai cair rapidamente. Quando mais se estica um elástico numa direção, maior a tensão, maior a força puxando no sentido contrário. Sempre que se chega a um extremo, a força no sentido contrário passa a ser muito grande.

Ao observarmos nossas vidas, podemos achar que determinados acontecimentos, como a morte de um familiar, a perda de um emprego ou uma mudança forçada de cidade são ruins. Uma série de mudanças que nos incomodaram muito em primeira instância, quando vistas de uma perspectiva de longo prazo, podem ser vistas como benéficas. O que parecia mal se tornou bom.

Platão nos faz ver que, na vida, nada deve ser visto de forma isolada; toda moeda tem o seu dorso. Todo ganho tem seu preço, e ocasiona algum tipo de perda. Tudo o que é positivo tem seu lado negativo. Nada é totalmente bom ou totalmente ruim. Não existe pessoa que só tenha vitórias na vida. A perda está sempre à espreita por detrás de cada vitória. Se assim não fosse, não poderia haver equilíbrio e justiça no universo.

O equilíbrio é uma lei fundamental do universo. Se uma pessoa está ganhando de um lado, tem que perder do outro para que o equilíbrio seja mantido. Na visão dos hinduístas, o universo é uma grande dança. Eles representam a contínua alternância entre os opostos como a dança de Shiva. Shiva é um dos deuses mais cultuados na Índia. Isso é curioso, porque ele é um deus associado à destruição. Existe na Índia uma trindade muito conhecida formada por Brahma, Vishnu e Shiva; onde Brahma está associado à criação, Vishnu à preservação e Shiva à destruição. Quando se viaja pela Índia percebe-se que quase não existem templos destinados a Brahma; que existem alguns poucos destinados a Vishnu; e uma enorme quantidade de templos destinados a Shiva. Por que razão isso ocorre? É que Shiva representa a renovação resultante da morte e da destruição. Para que o novo possa nascer, é necessário que as formas gastas sejam removidas. Ao mesmo tempo, Shiva inspira certo temor naqueles que não tiveram ainda a percepção de que vida e morte são aspectos complementares de uma mesma realidade divina.

Essa dança de shiva de criação e destruição é, na realidade, a base da existência. Nada pode existir estático na natureza. A nossa ignorância é a que nos impede de ver a mudança como um elemento fundamental da própria existência. Nada permanece estático, nem por um breve momento. Tudo flui, tudo está em contínuo movimento. A folha da árvore que cai vira adubo para o crescimento de outras árvores. Na natureza nada se perde.

ALTERNÂNCIA DE OPOSTOS
A estabilidade é apenas um estado temporário entre dois movimentos. O pêndulo de um relógio pára quando chega a um dos extremos. Esta pausa deve ser vista como parte integrante do movimento entre os pares de opostos. Tudo que chega a um extremo é forçado a retroceder no sentido do pólo oposto.

No I Ching existe uma representação muito bela, de que o homem está colocado entre o céu e a terra, o céu representando a criatividade, o aspecto da não-forma, e a terra o aspecto da matéria, caracterizado pela forma. Podemos dizer que existe uma tensão entre os opostos céu e terra. O homem, estando submetido a essas duas forças de polaridades opostas, sente-se dividido. Daí surge o conflito, a necessidade de uma tomada de posição. O homem, por ser espiritual e material ao mesmo tempo, está continuamente sofrendo duas pressões, uma que o atrai para cima, no sentido divino, e outra que o puxa para baixo, levando-o a se voltar para as paixões terrenas.

Ao longo da vida, um dia é de alegria, o outro de tristeza; um dia se está por cima e no outro por baixo. Um dia se tem um salário menor, outro dia um maior. A vida é uma constante alternância entre os opostos.

EVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA
Platão dizia que devemos observar como os pares de opostos se manifestam na natureza: o alto e o baixo; o positivo e o negativo; o masculino e o feminino; o dia e a noite; o sono e a vigília. Durante o dia estamos em estado de vigília e à noite dormindo. Esse é o processo natural. Ninguém pode ficar eternamente acordado ou eternamente dormindo.

A vida nos impele ao descanso no final do dia. O cansaço vai aumentando, começa a sonolência, começamos a bocejar e temos vontade de dormir. No final da madrugada, quando já se dormiu o suficiente, tendo o organismo recobrado as suas energias, há o processo oposto do despertar. Observamos assim, que o sono leva ao estado de vigília e o estado de vigília leva ao sono. Como dizem os chineses, o Yin conduz ao seu aspecto complementar Yang e o Yang conduz ao Yin. Inevitavelmente, um sempre leva ao outro, e esta alternância cíclica nunca pára.

Seria muita ignorância da nossa parte temer que o inverno perdura para sempre ou desejar que o verão nunca termine. A vida não seria como ele é hoje, se não houvesse essa alternância. Os contrastes que ela produz são essenciais para a evolução da consciência de todos os seres vivos.

Platão comenta que tudo na vida opera através dos pares de opostos. Está claro para todos que o dia e a noite formam um par de opostos. Da mesma forma, os estados de vigília e sono são postos complementares. Qual seria então o pólo complementar da vida?

Podemos observar que o estado de vigília guarda uma semelhança com o estado de estar vivo. Por outro lado, existe uma grande afinidade entre o estado de sono e a morte. Durante o sono há um estado de inconsciência. Durante a vigília, o ser está desperto e consciente. Será que, por analogia, poder-se-ia afirmar que vida e morte são também processos complementares, um levando ao outro?

Platão disse que, ao menos, existe evidência visível de um dos processos. Todos já tiveram a oportunidade de ver como, de um momento para outro, seres que estavam vivos falecem e passam para o reino dos mortos. Esse é um fato que observamos com freqüência. A transição da vida para a morte é um processo do qual ninguém pode fugir. O falecimento e a desintegração do corpo são inevitáveis. Existe, portanto, o processo visível da vida gerando a morte. Será que não haveria um processo complementar da morte transmutando-se em vida? Embora não se possa observar sensorialmente a transição da morte para a vida, pela lógica, isso deveria ocorrer naturalmente.

Não temos dúvida sobre a existência do processo da vida gerando a morte. Será que a natureza é capenga? Não faz sentido algum afirmar a não existência do processo de retorno para a vida daqueles que faleceram. Seria o mesmo que dizer que uma pessoa que dorme nunca vai acordar novamente. Ninguém duvida do fato de que quem dorme deve acordar.

O sono é necessário para que o organismo possa se recompor, para que o homem esteja preparado para iniciar uma nova jornada. Será que vida e morte não se alternam da mesma forma? Será que a analogia não é suficientemente clara neste caso, para nos induzir a aceitar o fato de que de um estado por nós desconhecido, de uma condição de “morte”, de alguma forma a vida renasce novamente? Isso parece muito lógico e razoável. Negar o renascimento equivale a acreditar que tudo que dorme vai permanecer dormindo para sempre.

Se todas as pessoas morressem e não retornassem, chegaria um momento que todo mundo estaria morto e a vida humana teria chegado ao fim. A morte teria engolido tudo que existe e passaria a ser a senhora absoluta do universo! Felizmente, isso é não só ilógico como impossível. A morte não pode tudo engolir, porque morte e vida são aspectos de uma mesma realidade. O universo é um cosmo, um todo ordenado. Há uma inteligência que tudo rege.

O argumento de Platão é perfeito para explicar a complementaridade entre a vida e a morte. A morte não pode ser o fim. Não podemos imaginar, disse Platão, que não existe uma alma que sobreviva à morte. O que morre na realidade é o corpo. A alma não morre, e preserva em seu seio a sabedoria – a única coisa que tem real valor.

Nada que se tem – objetos, poderes, posses -, nada pode ser levado no momento da morte. É por isso que a morte se apresenta para muitas pessoas como algo terrível.

Platão dizia, no entanto, que o filósofo não deveria temer a morte. Nos diálogos de Fédon, os discípulos de Sócrates, nos momentos que antecederam a sua morte, perguntaram-lhe: “Quer dizer que você não tem nenhum receio da morte; que você não está sentindo nenhum pouco de rancor; que não está se sentindo injustiçado; que não tem nenhum sentimento negativo em relação à morte?”

Sócrates respondeu: “Como é que um sábio que estudou a morte durante toda a sua vida pode temê-la? Se a filosofia é o estudo da morte, o medo não faz o mínimo sentido. Durante toda a minha vida eu estive investigando a morte. Aprendi que, para me preparar para a morte, eu precisava me desapegar de tudo que é material, incluindo o meu corpo”.

“Como eu posso me opor ao inevitável? Minha morte já está sentenciada. Já estou condenado e sei que vou morrer inevitavelmente. Só tenho que aproveitar esses breves momentos conversando com vocês de forma prazerosa. Isso é muito simples”.

Será que nós não podemos seguir o exemplo de Sócrates e começarmos a nos preparar para a transição? Será que somos capazes de deixar de lado os nossos apegos e caprichos, e percebermos a inutilidade da busca de posses materiais, poder e prestígio?

Para que a criança possa nascer o velho tem que morrer. Nós temos que voltar a ser crianças para entrar no reino dos céus. Cristo morreu para poder ressuscitar para a vida eterna e entrar no reino dos céus. Aqui novamente nos deparamos com a duplicidade: a morte transformando-se em vida e o inferno sendo uma passagem necessária para se chegar ao céu.

Sri Aurobindo dizia que nós não devemos achar que a vida divina somente pode ser experimentada após a morte. Segundo ele, é possível levar uma vida divina enquanto estamos aqui na Terra. Não há nenhuma incompatibilidade entre a vida terrena, onde usamos como veículo um corpo físico, e a vida divina. O segredo é morrer a cada instante para o passado.

A integração do homem, com sua verdadeira natureza, a natureza espiritual pode acontecer enquanto estamos aqui na Terra. Podemos estar na Terra, mas não somos da Terra. Estamos vivos, mas ao mesmo tempo estamos mortos para o apego, para o egoísmo e para todos os sentimentos impuros derivados do contato com a matéria.

Podemos estar vivendo no eterno, porque somos seres divinos, e simultaneamente estar vivendo nesse mundo efêmero, onde tudo é transitório. Esse é o grande desafio colocado diante de todos nós.

Pare e pense amados(as)

Bons estudos

Festa Junina no Seminario – Centro de Estudos Superiores Sagrado Coração de Jesus – 13/06/2012

Boa noite queridos(as) amigos(as) do Curso de Teologia, hoje trago um post um pouco diferente do habitual, iremos curtir as fotos da Festa Junina no Seminario – Centro de Estudos Superiores Sagrado Coração de Jesus – 13/06/2012, muita gente reunida, amigos(as) dos demais anos( do 2º e do 3º ) do Curso de Teologia, Pe. Albuquerque, Pe. Leonel, Seminarista Alysson entre muitos outros que prestigiaram esta festa já muito conhecida no Brasil, a festa de Santo Antonio, teve quentão (“crentão”), chocolate quente, pipoca, bolos de tudo que é tipo, canjica, doces e doces, e o já tradicional mastro de Santo Antonio onde recebe os Devotos de seus(uas) admiradores(as).
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Conheça um pouco mais desta tradição não só aqui no Brasil mas no mundo todo.
QUEM FOI ?
O Santo de Lisboa.

Bem, verdade o santo padroeiro de Lisboa é São Vicente.
Mas foi Santo António que conquistou o coração dos lisboetas, que lhe dedicam todos os anos o dia 13 de Junho, feriado municipal. Ele é o santo casamenteiro, sempre associado à cidade que o viu nascer. Não importa se ele passou os últimos anos da sua vida em Pádua. Para os lisboetas, Santo António.é o Santo de Lisboa.
Fernando de Bulhão, ou Santo António como ficou imortalizado para sempre na história da capital portuguesa, nasceu em Lisboa, provavelmente a 15 de Agosto de 1195, numa casa onde mais tarde se ergueu a igreja em sua honra.Os primeiros estudos foram feitos na Sé de Lisboa e abraçou a vida religiosa em S. Vicente de Fora.É ordenado sacerdote no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.

Diz a tradição que Fernando tinha uma memória extraordinária, sabendo de cor não só as Escrituras Sagradas como também a vida dos Santos Padres. Tornou-se frade franciscano e recolheu-se como Eremita nos Olivais.

Troca o nome para António em 1220 e é por essa altura que viaja para Marrocos, onde foi atacado por pestilência aquando da sua chegada. Passado um ano, quando regressava de barco a Portugal, uma forte tempestade arrastou-o para Itália, onde o destino haveria de o prender.São Francisco convoca-o em 1221 para o Capítulo Geral da Ordem e ali, ele revela os seus talentos de orador a pregar perante os seus confrades.

Foi convidado a ensinar teologia nas escolas franciscanas de Bolonha, Montpellier e Toulouse, e é nomeado ministro provincial no Norte da Itália, em 1227.Prossegue a sua carreira académica em Pádua, cidade onde viria a morrer em 1231.

É proclamado doutor da Igreja pelo papa Pio XII, em 1946, que o considera “exímio teólogo e insigne mestre e matérias de ascética e mística”.

“UM TOSTÃOZINHO PRÓ SANTO ANTÓNIO!”


Fernando Martins de Bulhão nasceu em Lisboa, a dois passos da catedral onde foi baptizado e passou a maior parte da sua curta vida na capital portuguesa (morreu em Pádua com 36 anos), tendo aqui estudado e sido ordenado.

Canonizado um ano depois da sua morte, reza a lenda que o povo quis mostrar, desde logo, a Santo António a sua imensa devoção, mandando construir uma capela no lugar da sua casa natal.

O rei D. João II, já no século XV, mandou construir nesse mesmo local uma igreja, a qual viria a ser totalmente destruída aquando do terramoto de 1755.

A sua reconstrução foi financiada por subscrição pública e, por isso, as crianças da cidade montaram pequenas bancas na rua com uma imagem do franciscano, pedindo “um tostãozinho pró Santo António!”, uma tradição que ainda hoje perdura, por altura do dia 13 de Junho, data em que o patrono de Lisboa morreu.

A igreja que se ergue ao lado da Sé foi construída, no século XVIII, a partir de um projecto do arquitecto Mateus Vicente.

FESTAS E TRADIÇÕES
A 13 de Junho, a cidade de Lisboa pára.
Na véspera, a cidade dançou, divertiu-se, leu pregões, cheirou mangericos e comeu sardinha assada.

LENDAS

O povo festeja Santo António como o Santo Casamenteiro.

A lenda tem origem na generosidade com que o frade presenteava as jovens sem dote para que se pudessem casar. Daqui resultaram diversas outras lendas.

A mais conhecida reza que uma rapariga, farta de rezar e esperar que o santo ouvisse as suas preces, atirou a sua imagem pela janela fora. A estatueta bateu na cabeça de um rico homem, que logo se apaixonou e casou com ela.
A partir deste momento, o Santo Casamenteiro não teve mais descanso a atender os pedidos que lhe são dirigidos.

Santo António é também, talvez devido aos seus dotes de oratória, o advogado das causas perdidas e o que nos ajuda a encontrar objectos perdidos de grande valor.

Os principais monumentos que Lisboa mandou construir em memória do seu santo adoptivo são: a estátua e a igreja.

A estátua é uma das mais importantes da capital portuguesa. Foi edificada na rotunda da Avenida de Roma com a Avenida da Igreja, no bairro de Alvalade.

Quanto à igreja, é de origem tardo-barroca, construída no local (Largo de Santo António da Sé) onde, segundo a tradição, residiu Santo António.

Em 1431, existia no local um modesto culto a Santo António, tendo D. João II mandado edificar um novo e sumptuoso templo, que veio a ser destruído pelo terramoto de 1755.
A reconstrução inicia-se em Agosto de 1767, demolindo-se a capela-mor, que havia ficado de pé, e recuperando-se a cripta, onde se diz ter nascido o Santo. Esta obra pertenceu aos arquitectos Mateus Vicente e de Carvalho Negreiros.
A igreja é um templo de nave única e dois altares.

Na festa de Santo António, a gastronomia é tão importante como a religiosidade que lhes está associada.
As sardinhadas e o caldo verde são a ementa desta festividade.

Divirtam-se nesta festa tão tradicional – A Festa de Santo Antonio! Santo Antonio rogai por nós!

Dia de Santo Antonio de Lisboa

Santo António (Portugal) ou Antônio (Brasil) de Lisboa, internacionalmente conhecido como Santo António de Pádua[1], OFM (Lisboa, 15 de Agosto de 11911195  – Pádua, 13 de Junho de 1231), de seu nome de batismo Fernando Martins de Bulhões, foi um Doutor da Igreja que viveu na virada dos séculos XII e XIII[2].

Primeiramente foi frade agostiniano, tendo ingressado como noviço (1210) no Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa, indo posteriormente para o Convento de Santa Cruz, em Coimbra, onde fez seus estudos de Direito. Tornou-se franciscano em 1220 e viajou muito, vivendo inicialmente em Portugal, depois na Itália e na França. No ano de 1221 passou a fazer parte do Capítulo Geral da Ordem de Assis, a convite do próprio Francisco, o fundador, que o convidou também a pregar contra os albigenses em França. Foi transferido depois para Bolonha e de seguida para Pádua, onde morreu aos 36 (ou 40) anos.

Sua fama de santidade o levou a ser canonizado pela Igreja Católica pouco depois de falecer, distinguindo-se como teólogo, místico, asceta e sobretudo como notável orador e grande taumaturgo. Santo António de Lisboa é também tido como um dos intelectuais mais notáveis de Portugal do período pré-universitário. Tinha grande cultura, as referências ilustrativas que apresentava em seus sermões indicam que ele estava familiarizado com as obras de Plínio, o Velho, Cícero, Sêneca, Boécio, Galeno e Aristóteles, entre outros autores clássicos, sendo versado em diversos aspectos das ciências profanas. Seu grande saber o tornou uma das mais respeitadas figuras da Igreja Católica de seu tempo. Foi o primeiro Doutor da Igreja franciscano, e seu conselho era buscado pelo próprio São Francisco. São Boaventura disse que ele possuía a ciência dos anjos.[3]

O contexto histórico

Santo António de Lisboa, OFM viveu na primeira metade do século XIII, em plena Idade Média. Desenvolviam-se as cidades extra-muros (os burgos) e uma nova classe social de artesãos, mercadores, banqueiros, notários e médicos ascendia na sociedade e no poder: a burguesia.

Na Europa formavam-se as nacionalidades sob a égide do Sacro Império e os exércitos dos anglos, francos e germanos, dominados pelo espírito da cruzada, combatiam os turcos muçulmanos no Oriente (na Terra Santa) e os berberes muçulmanos no Ocidente (na Península Ibérica).

Em Portugal, nesse século, três reis sucederam-se no trono: primeiro Sancho I, filho de D. Afonso Henriques, empenhado em alargar o território e proceder ao povoamento do país que surgira sob o governo do seu pai; depois Afonso II neto de D. Afonso Henriques, que se envolveu em lutas civis contra suas irmãs, o que motivou a perda dos territórios já conquistados aos mouros a sul do Tejo, e finalmente Sancho II, filho deste último, grande conquistador, que se envolveu em questões com a Igreja Católica e com o papado e foi excomungado e deposto pelo Papa Inocêncio IV a favor de seu irmão Afonso III, conde de Bolonha.

Biografia

Santo António nasceu em Lisboa em data incerta, entre 1191 e 1195 (aceita-se oficialmente a data de 15 de agosto de 1195), filho de Martim de Bulhões e Maria Teresa Taveira Azevedo, numa casa próxima da Sé de Lisboa, às portas da cidade, no local, assim se pensa, onde posteriormente se ergueu a igreja sob sua invocação. Também a forma de seu nome de batismo é obscura, pode ter sido Fernando Martins ou Fernando de Bulhões.[4][2] Várias biografias escritas no século XV dizem que o pai era descendente do celebrado Godofredo de Bulhões, comandante da I Cruzada, e que a mãe descendia de Froila I, rei de Astúrias, mas embora fossem nobres e ricos, tal ascendência nunca pôde ser comprovada.[5]

Fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior (hoje Sé de Lisboa), sob a direção dos cônegos da Ordem dos Regrantes de Santo Agostinho. Como era a prática da ordem, deve ter recebido instrução no currículo das artes liberais do trivium e do quadrivium, o que certamente plasmou seu caráter intelectual. Ingressando ainda um adolescente como noviço da mesma Ordem, no Mosteiro de São Vicente de Fora, iniciou os estudos para sua formação religiosa. A biblioteca de São Vicente de Fora era afamada pela sua rica coleção de manuscritos sobre as ciências naturais, em especial a medicina, o que pode explicar as constantes referências científicas em seus sermões.[6]

Poucos anos depois pediu permissão para ser transferido para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, a fim de evitar distrações profanas, já que era constantemente visitado por amigos e parentes, e aperfeiçoar sua formação. Coimbra era na época o centro intelectual de Portugal, e ali ele deve ter se envolvido profundamente no estudo das Escrituras e nos textos dos Padres da Igreja. Nesta época entrou em contato com os primeiros missionários franciscanos, chegados a Portugal em 1217, e que estavam a caminho do Marrocos para evangelizar os mouros. Sua pregação do Evangelho no espírito de simplicidade, idealismo e fraternidade franciscana, e sua determinação missionária, devem ter tocado o sentimento de Fernando. Entretanto, uma impressão ainda mais forte ocorreu quando os corpos desses frades, mortos em sua missão, voltaram a Coimbra, onde foram honrados como mártires. Autorizado a juntar-se a outros franciscanos que tinham um eremitério nos Olivais, sob a invocação de Santo Antônio do Deserto, mudou seu nome para Antônio e iniciou sua própria missão em busca do martírio.[7]

Sua missão

Por essa altura, decidiu deslocar-se ele também ao Marrocos, mas lá chegando foi acometido por grave doença, sendo persuadido a retornar. Fê-lo desalentado, já que não havia proferido um único sermão, não convertera nenhum mouro, nem alcançara a glória do martírio pela fé. No regresso, uma forte tempestade arrastou o barco para as costas da Sicília, onde encontrou antigos companheiros. Ali se quedou até a primavera de 1221, dirigindo-se com eles então para Assis a fim de participarem do Capítulo da Ordem – o último que seria feito com a presença do fundador[8]. Em Assis encontrou-se com São Francisco de Assis e os seus primeiros seguidores, um evento de grande importância em sua carreira. Sendo designado para um eremitério em Montepaolo, na província da Romagna, ali passou cerca de quinze meses em intensas meditações e árduas disciplinas.[9]

Pouco depois aconteceu uma ordenação de frades em Forlì, quando deixou o isolamento e para lá se dirigiu. Até então os franciscanos não sabiam de sua sólida formação, mas faltando o pregador para a cerimônia, e não havendo nenhum frade preparado para tal, o provincial solicitou a Antônio que falasse o que quer que o Espírito Santo o inspirasse. Protestou, mas obedeceu, e dissertando para os franciscanos e dominicanos lá reunidos de forma fluente e admirável, para a surpresa de todos, foi de imediato destinado pelo provincial à evangelização e difusão da doutrina pela Lombardia. Entretanto, a prática franciscana desencorajava o estudo erudito, mas em novembro de 1223 o papa Honório III sancionou a forma final da Regra da Ordem Franciscana, onde uma formação mais aprimorada se tornou autorizada, desde que submissa ao trabalho manual, à prece e à vida espiritual. Recebendo a aprovação para a tarefa pastoral do próprio Francisco, fixou-se então em Bolonha, onde se dedicou ao ensino da teologia na universidade e à pregação. Deslocando-se em seguida para a França, ensinou nas universidades de Toulouse e Montpellier, passando também por Limoges.[10][11]

Em 1226 assistiu ao Capítulo de Arles, e em outubro do mesmo ano, após a morte de Francisco, seviu como enviado da Ordem ao papa Gregório IX, para apresentar-lhe a Regra da Ordem. Em 1227 foi indicado provincial da Romagna e passou os três anos seguintes pregando na região, incluindo Pádua, para audiências cada vez maiores. Nesse período colocou por escrito diversos sermões. Em 1230 solicitou ao papa dispensa de suas funções como provincial para dedicar-se à pregação, reservando algum tempo para a contemplação e prece no mosteiro que havia fundado em Pádua. Sempre trabalhando pelos necessitados, envolveu-se também em questões políticas, a exemplo de sua viagem a Verona para pedir a libertação de prisioneiros guelfos feitos pelo tirano gibelino Ezzelino, e em 1231 persuadiu a municipalidade de Pádua a elaborar uma lei que impedia a prisão por dívidas se houvesse a possibilidade de compensação de outras formas.[12]

Pouco depois da Páscoa de 1231 sentiu-se mal, declarou-se hidropisia e ele deixou Pádua para dirigir-se ao eremitério de Camposanpiero, nos arredores da cidade. Seus companheiros ergueram-lhe uma cabana no alto de uma árvore, onde permaneceu alguns dias. Percebendo que a morte estava próxima, pediu para ser levado de volta a Pádua, mas apenas tendo alcançado o convento das clarissas de Arcella, ali faleceu, em 13 de junho de 1231. As clarissas reclamaram seu corpo, mas a multidão acabou sabendo de seu passamento, tomou-o e o levou para ser sepultado na Igreja de Nossa Senhora em Pádua. Sua fama de santidade era tamanha que foi canonizado logo no ano seguinte, em 30 de maio, pelo papa Gregório IX. Os seus restos mortais repousam desde 1263 na Basílica de Santo Antônio de Pádua, construída em sua memória logo após sua canonização. Quando sua tumba foi aberta para iniciar o processo de translado, sua língua foi encontrada incorrupta, e São Boaventura, presente no ato, disse que o milagre era prova de que sua pregação era inspirada por Deus. E incorrupta está até hoje, em exposição na Capela das Relíquias da Basílica. Foi proclamado Doutor da Igreja pelo papa Pio XII em 16 de janeiro de 1946 e é comemorado no dia 13 de junho.[13]

Sua pregação, seus escritos e a presença contemporânea de sua obra

Entre suas várias qualidades, chamou a atenção de seus contemporâneos seu admirável dom como pregador. Muitas descrições de época referem o fascínio que sua fala exercia sobre as multidões de pessoas simples e também sobre clérigos doutos, e embora o efeito de sua oração a viva voz não possa mais ser recuperado, seu estilo e os conteúdos que abordava podem ser conhecidos em parte através dos 77 sermões que sobreviveram e constam em sua obra publicada em edição crítica, Sermões Dominicais e Festivos, e que são considerados autênticos, conforme disse José Geraldo Freire. São textos eloquentes, persuasivos, cheios de zelo messiânico, sendo frequentes a defesa do pobre e a reprimenda do rico, e o combate às heresias de seu tempo, como as dos albigenses e valdenses, com uma eficácia tanta que lhe foi dado o apelido de malleus hereticorum (o martelo dos heréticos).[2][12]

Embora a tradição atribua seu dom à inspiração divina, não é possível deixar de considerar o importante papel que sua formação erudita desempenhou neste aspecto de sua vida e obra. A análise das referências que fez em seus escritos, junto com o levantamento das fontes literárias presentes em seu tempo nas bibliotecas que frequentou, especialmente a de Santa Cruz, atestam sem sombra para dúvidas que sua preparação intelectual foi ampla e profunda.[14] Além de um conhecimento detalhado da Bíblia, dos escritos dos Padres da Igreja e outros escritores cristãos, são encontradas citações de clássicos como Aristóteles, Cícero, Catão, Sócrates, Dioscórides, Donato, Eliano, Escribônio, Euquério de Lião, Festo Solino, Filão de Alexandria, Tibulo, Sérvio, Públio Siro, Juvenal, Plínio, o Velho, Varrão, Sêneca, Flávio Josefo, Horácio, Ovídio, Lucano e Terêncio. Seu conhecimento das ciências naturais ultrapassa em muito o currículo regular das artes liberais medievais, aprofundando-se em áreas como a medicina, a física, a história natural, a cosmografia, mineralogia, zoologia, botânica, astronomia e óptica.[15][3]Nas palavras de José Antunes,

“Santo Antônio de Lisboa, embora muito festejado e venerado como santo pelo povo, é menos conhecido como um homem de cultura literária invulgar e como um verdadeiro intelectual da Idade Média. Reveladora dessa cultura ímpar, é a sua obra escrita, cheia de beleza e densidade de pensamento, como nos testemunham os seus Sermões, autênticos tesouros da Literatura e da História. Vasta, profunda, extraordinária, a respeito da Sagrada Escritura. Ampla, variada e bem apropriada nas transcrições dos Padres da Igreja e dos Autores Clássicos. Impressionante, para o tempo, não apenas pelo conhecimento que revela das ciências naturais e das humanidades, mas igualmente pelo erudito discurso sobre noções jurídicas, como Poder, Direito e Justiça”.[16]

Naturalmente, era fiel à ortodoxia cristã. Apesar de sua extensa cultura profana, considerava a Escritura sagrada a fonte da ciência superior, da verdadeira ciência, da qual todas as outras eram meras servas e simples coadjutoras no trabalho da Salvação. Por isso deu grande importância à uma boa exegese do texto sagrado, privilegiando a extração do seu sentido moral. Nota-se ainda em sua obra alguns dos primeiros sinais de um progressivo abandono do pensamento medieval, que apresentava o homem e o mundo como desprezíveis e fontes do pecado, abrindo-se a uma apreciação mais positiva da vida concreta e do relacionamento humano, entendendo o ser humano como uma maravilhosa obra divina.[17] Na análise de Pedro Calafate,

“Santo António não olvidará a excelência da contemplação, mas sublinhará não obstante a circunstância terrena do homem como corpo e alma, sem deixar de considerar que a abertura à exterioridade não transforma o amor aos outros e às criaturas no apego à posse das coisas, estando neste caso o culto da pobreza, nomeadamente as críticas severas que dirigiu aos prelados e dignatários eclesiásticos, por se comprazerem nos luxos do século. Tratando-se de uma espiritualidade que não olvidou a dimensão prática e vivencial, equacionou também a relação entre a ação e a contemplação no quadro da mística. Filha da vontade e do amor, numa alienatio mentis que supera o plano estritamente racional para que a alma, inteiramente conduzida pela graça, contemple Deus como em espelho ou em enigma, a mística tampouco representará uma renúncia à vida ativa, nem às exigências da vertente racional do homem, porque a alma volta e regressa à vida ativa para a realizar com maior perfeição, numa confluência entre o entender e o contemplar, o saber e a sabedoria”. [17]

Contudo, é de dizer que na forma como chegaram, os ditos sermões são antes um manual didático para os noviços do que transcrições de sermões verdadeiramente proferidos. Foram produzidos para seus alunos, para instruí-los na arte predicatória, a fim de que depois eles pudessem converter com sucesso os pecadores e infiéis à fé cristã. Apesar disso, eles possuem em seu conjunto pouca ordem sistemática.[18]

Os sermões são ainda um precioso documento de época, muitas vezes fazendo alusões às transformações sociais e econômicas que ocorriam durante aquele período, atestando o crescimento das cidades, o florescimento das atividades artesanais e do comércio, o surgimento das corporações de ofícios, as diferenças de classes. Além dos conteúdos sacros, que ainda preservam seu caráter inspirador, tais alusões – onde surge aguda crítica social na condenação da avareza, da usura, da inveja, do egoísmo, da falta de ética na administração pública, dos falsos moralistas e hipócritas, dos maus pastores de almas, do orgulho dos eruditos, dos ricos ensimesmados em sua opulência que oprimem e excluem os pobres do tecido social – são responsáveis pelo valor perene e atual de seus escritos, sendo passíveis de imediata identificação com muitas circunstâncias e contradições da vida contemporânea.[19]

Tradição taumatúrgica, iconografia e veneração

Diz a tradição que em sua curta vida operou muitos milagres, como seguem alguns exemplos. Certa feita, meditando à beira-mar sobre a frequente aparição da imagem do peixe nas Escrituras, os peixes teriam se reunido a seus pés para escutá-lo. Teria restaurado um campo de trigo maduro para colheita que fora estropiado por uma multidão que o seguia; teria protegido milagrosamente seus ouvintes da chuva que caía durante um sermão, e uma mulher impedida pelo marido de ir ouvi-lo pôde escutar suas palavras a quilômetros de distância. Outros milagres populares são: quando em disputa com um herege albigense sobre a presença ou não do Deus vivo na hóstia consagrada, o herege, chamado Bonvillo, disse que se uma mula, tendo passado três dias sem comer, honrasse uma hóstia em detrimento de uma ração de aveia, ele acreditaria no santo. Segundo a história, assim que a mula foi liberta de seu cercado, faminta, desviou-se da ração e ajoelhou-se diante da hóstia que Antônio lhe mostrava. Restaurou o pé amputado de um jovem; soprou na boca de um noviço para expulsar as tentações que sofria, confirmando-o em sua vocação; quando hereges colocaram veneno em sua comida para verificar sua santidade, o santo fez o sinal da cruz sobre o alimento, comeu-o e nada sofreu, para o vexame dos seus tentadores. Outro milagre famoso trata-se da aparição do Menino Jesus ao santo durante uma de suas orações, uma cena multiplicada abundantemente em sua iconografia.[12][5] Também é bastante conhecido um milagre ocorrido durante sua pregação num consistório diante do papa, inúmeros cardeais e clérigos, e gentes de várias nações, quando, discorrendo com sutilíssimo discernimento sobre intrincadas questões teológicas, todos ouviram sua pregação na sua própria língua materna.[20] Na ocasião, diante de tão assombroso fenômeno, que parecia uma reedição do Pentecostes bíblico, o papa o teria chamado de “a arca do Testamento, o arsenal,da Sagrada Escritura”.[21]

A sua representação iconográfica de longe mais frequente é a de um jovem tonsurado envergando o hábito dos frades franciscanos, segurando o Menino Jesus sobre um livro ou entre os braços, a quem contempla com expressão terna, e tendo uma cruz, ou um ramo de açucenas, na outra mão. Esses atributos podem ser substituídos por um saco de pão, que distribui entre pobres ou idosos.[22]

É considerado padroeiro dos amputados, dos animais, dos estéreis, dos barqueiros, dos velhos, das grávidas, dos pescadores, agricultores, viajantes e marinheiros; dos cavalos e burros; dos pobres e dos oprimidos; é padroeiro de Portugal, e é invocado para achar-se coisas perdidas, para conceber-se filhos, para evitar naufrágios, para conseguir casamento.[12] A devoção popular o colocou entre os santos mais amados do Cristianismo, cercou-o de riquíssimo folclore e lhe atribui até os dias de hoje inúmeros milagres e graças. Igrejas a ele consagradas se multiplicam pelo mundo, tem vasta iconografia erudita e popular, a bibliografia devocional que ele inspira é volumosa, e em sua homenagem uma quantidade incontável de pessoas recebeu o nome Antônio, além de inúmeras cidades, bairros e outros logradouros públicos, empresas e mesmo produtos comerciais em todo o mundo também terem seu nome.[23]

É um dos santos honrados nas popularíssimas Festas Juninas e diversos costumes folclóricos estão ligados ao santo. a título de exemplo, no Brasil moças casadoiras retiram o Menino Jesus das estátuas e só o devolvem quando arrumam casamento; uma prece especial, os “responsos”, são feitas para que ele ajude a encontrar objetos perdidos; no dia de sua festa muitas igrejas distribuem um pão especialmente abençoado, os “pãezinhos de Santo Antônio”, que deve ser guardado em uma lata de mantimentos para que não falte alimento na casa.[24]

Ele teve inclusive uma brilhante carreira militar póstuma. Inúmeras cidades da Espanha, Portugal e Brasil lhe conferiram títulos militares, condecorações, insígnias e outras honrarias, iniciando-se o curioso hábito quando o regente Dom Pedro ordenou em 1668 que ele fosse recrutado e assentasse praça como soldado raso no II Regimento de Infantaria em Lagos, sendo promovido sucessivamente a capitão e coronel. Com o posto de tenente-coronel, sua imagem foi levada pelo XIX Regimento de Infantaria em Cascais à frente dos combates da Guerra Peninsular, recebendo depois uma condecoração. Dom João VI, apos o feliz desembarque no Brasil em sua fuga da invasão napoleônica, o nomeou sargento-mor, promovendo-o depois a tenente-coronel. No Brasil foi onde recebeu mais títulos, recebendo inclusive soldo em vários locais até depois de proclamada a República. Em Igarassu foi nomeado oficialmente Protetor da Câmara de Vereadores.[25]

Festividades

Localidade: Portugal

Em Portugal, Santo António é muito venerado na cidade de Lisboa e o seu dia, 13 de Junho, é feriado municipal.

As festas em honra de Santo António começam logo na noite do dia 12. Todos os anos a cidade organiza as marchas populares, grande desfile alegórico que desce a Avenida da Liberdade (principal artéria da cidade), no qual competem os diferentes bairros.

Um grande fogo de artifício costuma encerrar o desfile. Os rapazes compram um manjerico (planta aromática) num pequeno vaso, para oferecer às namoradas, as quais trazem bandeirinhas com uma quadra popular, por vezes brejeira ou jocosa. A festa dura toda a noite e, um pouco por toda a cidade, há arraiais populares, locais de animação engalanados onde se comem sardinhas assadas na brasa, febras de porco (fêveras), caldo verde (uma sopa feita com couve galega, cortada aos fiapos, o que lhe confere uma cor esverdeada) e se bebe vinho tinto. Ouve-se música e dança-se até de madrugada, sobretudo no antigo e muito típico Bairro de Alfama.

Santo António é o santo casamenteiro, por isso a Câmara Municipal de Lisboa costuma organizar, na Sé Patriarcal de Lisboa, o casamento de jovens noivos de origem modesta, todos os anos no dia 13 de Junho. São conhecidos por ‘noivos de Santo António’, recebem ofertas do município e também de diversas empresas, como forma de auxiliar a nova família.

Localidade: Brasil

No Brasil, onde o santo tem muitos devotos, é também frequentemente reverenciado como Santo Antônio, o Casamenteiro. O arraial de Santo Antônio do Leite, no Estado de Minas Gerais, Brasil, tem em sua igreja uma imagem de Santo António de Lisboa, trazida de Portugal em finais do século XVII.

Em Barbalha, no interior do Ceará, o mês de junho é dedicado ao santo, que é padroeiro da cidade. Destaca-se o Pau da Bandeira, cerimônia onde os devotos cortam uma árvore de grande porte e a utilizam como mastro com uma bandeira de Santo Antônio. A festividade reúne milhares de pessoas.

No sincretismo religioso, Santo Antônio é conhecido no Candomblé da Bahia como Ogum, o orixá da guerra.

O Santo é também padroeiro da cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e de Patos de Minas, Rio Acima, Juiz de Fora e Governador Valadares no estado de Minas Gerais, onde seu dia é feriado municipal.

Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, com uma vasta programação, a festa para o Santo padroeiro é celebrada com missa diária, pastelada, barracas com comidas típicas, quadrilha, noites temáticas, e shows. A festa é tradicional e tem como principal atrativo o bolo de metro com várias alianças, que é repartido e distribuído sempre no dia 13. O pedaço do bolo é bem requisitado pelas mulheres solteiras que sonham com um casamento próximo. Diz à tradição que aquela que achar uma aliança no pedaço de bolo é a grande sortuda a subir ao altar com um noivo.

A cidade de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, também tem como padroeiro o Santo, onde a Paróquia de Santo Antônio realiza todos os anos a trezena e no dia 13 a missa e bênção do pão.

Em Borba, no interior do Amazonas, a Festa de Santo António é comemorada no período de 1 a 13 de junho e, em 2009, comemoraram-se 253 anos de amor e fé. Romeiros de vários estados e até do exterior marcam presença nos festejos todos os anos para pedirem ou agradecerem pelas graças recebidas. O município possui a Basílica de Santo António de Borba, que é a 1ª da América Latina e a 5ª do Mundo a possuir relíquias de Santo António.

Em Salvador, Bahia, o santo é reverenciado em quase todas as paróquias com a celebração da trezena, mas há duas igrejas com seu nome em que as festividades são mais intensas, quais sejam, Santo Antonio Além do Carmo, no centro histórico de Salvador e em Santo Antonio da Barra. Em Paratinga, Bahia, conhecida também como Terra de Santo Antonio, no mês de junho se realizam as Trezenas de Santo Antonio e em sua tradição, são treze noites de festa. Sendo que em cada noite que antecede ao dia 13 de junho, são realizadas as noites de acordo a uma parcela da população, como a noite das crianças, dos rapazes, da moças, dos casados, dos artistas, dos pescadores, agricultores, carroceiros e motoristas, etc.

No Piauí, a maior festa religiosa da região, reverenciada ao Santo, acontece em Campo Maior.

Na Paraíba, no municipio de Fagundes, há mais de um século a conhecida Pedra de Santo Antônio é visitada por turistas e romeiros de todo o Brasil, no dia 13 de Junho, que é feriado no município.

Em Santa Catarina, no município de Sombrio, são celebradas as Trezenas durante treze dias antes do sábado que antecede a festa, com benção dos pães de Santo Antonio e feriado municipal no dia 13 de Junho. A cidade é uma das poucas no Brasil a possuir uma relíquia do santo, trazida de Pádua (Itália) por uma comitiva que incluiu festeiros de 2011, o prefeito municipal e o pároco.

Em São Paulo, há muitas igrejas em homenagem ao santo, e ao menos duas catedrais, em Osasco, que guarda uma relíquia do santo, e Lins, no interior do estado.

Igreja e Museu Antoniano em Lisboa

Situados perto da Sé Patriarcal de Lisboa, o Museu e a Igreja Antoniana em Lisboa são o centro da devoção ao santo lisboeta, em especial no dia que lhe é dedicado, 13 de Junho.

O Museu Antoniano é um museu monográfico dedicado à vida e veneração do santo, exibindo, em exposição permanente, objectos litúrgicos, gravuras, pinturas, cerâmicas e objectos de devoção que evocam a vida e o culto ao santo.

O Museu fica anexo à Igreja, local onde, de acordo com a tradição, nasceu o santo. Em conjunto, esses dois espaços constituem um dos mais importantes locais de homenagem ao mesmo.

No ano de 1995 comemorou-se o 800.º aniversário do seu nascimento, com grandes celebrações por toda a cidade de Lisboa.

Notas e referências

  1. Santo António é quase apenas reverenciado pelos povos de língua portuguesa como Santo António de Lisboa; é mais conhecido em outros países como Santo António de Pádua, por ter vivido e falecido nessa cidade italiana porque, regra geral, os santos católicos são conhecidos pelo nome da cidade onde falecem, onde geralmente permanecem as suas relíquias, e não onde nascem como é o caso.
  2. Freire, José Geraldo. Santo António de Lisboa. Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra, s/d. s/p. Acessado a 15 de abril de 2010
  3. Bernardo, Luís Miguel. Histórias da Luz e das Cores, volume 1, 2ª ed. Universidade do Porto, 2009, pp. 153-155
  4. Purcell, Mary. Saint Anthony and His Times. Garden City: Hanover House, 1960, pp. 19; 275-6
  5. Dal-Gal, N. “St. Anthony of Padua”. In: The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company, 1907.
  6. Armstrong, Regis J.; Peterson, Ingrid J. & Zagano, Phyllis. The Franciscan Tradition. Liturgical Press, 2010, p. 17
  7. Armstrong, Peterson & Zagano, pp. 17-18
  8. José Manuel Azevedo Silva (2011), p.1
  9. Armstrong, Peterson & Zagano, p. 18
  10. Armstrong, Peterson & Zagano, pp. 18-19
  11. Guiley, Rosemary. The encyclopedia of saints. Infobase Publishing, 2001, pp. 29-30
  12. Guilley, pp. 30-31
  13. Guilley, p. 31
  14. Antunes, José. “A Invulgar cultura literária de Frei António de Lisboa”. In: Departamento de Ciências e Técnicas do Património / Departamento de História e de Estudos Políticos Internacionais (org). Estudos em homenagem ao Professor Doutor José Marques, vol. 2. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2006, pp. 389-390
  15. Antunes, pp. 389-390
  16. Antunes, p. 387
  17. Calafate, Pedro. Sto. António de Lisboa. Instituto Camões, s/d
  18. Souza, José Antônio de C. R. de. “Críticas de Santo Antônio à situação socioeconômica de sua época”. In: Ullmann, Reinholdo Aloysio. Consecratio Mundi: festschrift em homenagem a Urbano Zilles. EDIPUCRS, 1998. pp. 459-560
  19. Souza, pp. 461-474
  20. Cooper-Rompato, Christine F. The gift of tongues: women’s xenoglossia in the later middle ages. Pennsylvania State University Press, 2010, p. 28
  21. Antunes, p. 390
  22. Souza, pp. 11-12
  23. Souza, pp. 11-13
  24. Festas Juninas: Cultura, Religiosidade e Tradição. Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo
  25. “Saiba que…” In: A Alcaxa, Revista da Associação de Praças da Armada. Nº 3, ano I, nov. 2005, p. 1

Paz amados(as)

 

Dia de São Valentim – Dia dos namorados

A história do Dia de São Valentim remota a um obscuro dia de jejum tido em homenagem a São Valentim. A associação com o amor romântico chega depois do final da Idade Média, durante o qual o conceito do amor romântico foi formulado. 
O Bispo Valentim lutou contra as ordens do imperador Claudio II, que havia proibido o casamento durante as guerrsa acreditando que os solteiros eram melhores combatentes.
Além de continuar celebrando casamentos, ele se casou secretamente, apesar da proibição do imperador. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe enviaram flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes da execução, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “Do Seu Valentim”.
Considerado mártir pela Igreja Católica, a data de sua morte, 14 de fevereiro, também marca a véspera de Lupercais, festas anuais celebradas na Roma antiga em honra de Juno, Deusa da mulher e do matrimônio, e de Pan, Deus da natureza. Um dos rituais desse festival, era a passeata da fertilidade, em que os sacerdotes caminhavam pela cidade batendo em todas as mulheres com correias de couro de cabra para assegura a fertilidade.

O Dia dos Namorados ou Dia de São Valentim é uma data especial e comemorativa na qual se celebra a união amorosa entre casais sendo comum a troca de cartões e presentes com simbolismo de mesmo intuito, tais como as tradicionais caixas de bombons. No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de junho. Em Portugal também acontecia o mesmo até há poucos anos, mas atualmente é mais comum a data ser celebrada em 14 de Fevereiro.

A história do Dia de São Valentim remonta a um obscuro dia de jejum tido em homenagem a São Valentim. A associação com o amor romântico chega depois do final da Idade Média, durante o qual o conceito de amor romântico foi formulado.

O bispo Valentim lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras acreditando que os solteiros eram melhores combatentes.

Além de continuar celebrando casamentos, ele se casou secretamente, apesar da proibição do imperador. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe enviavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes da execução, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “De seu Valentim”.

Considerado mártir pela Igreja Católica, a data de sua morte – 14 de fevereiro – também marca a véspera de lupercais, festas anuais celebradas na Roma antiga em honra de Juno (deusa da mulher e do matrimônio) e de Pan (deus da natureza). Um dos rituais desse festival era a passeata da fertilidade, em que os sacerdotes caminhavam pela cidade batendo em todas as mulheres com correias de couro de cabra para assegurar a fecundidade.

Outra versão diz que no século XVII, ingleses e franceses passaram a celebrar o Dia de São Valentim como a união do Dia dos Namorados. A data foi adotada um século depois nos Estados Unidos, tornando-se o The Valentine’s Day. E na Idade Média, dizia-se que o dia 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros. Por isso, os namorados da Idade Média usavam esta ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta do(a) amado(a).

Atualmente, o dia é principalmente associado à troca mútua de recados de amor em forma de objetos simbólicos. Símbolos modernos incluem a silhueta de um coração e a figura de um Cupido com asas. Iniciada no século XIX, a prática de recados manuscritos deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em massa. Estima-se que, mundo fora, aproximadamente mil milhões (Portugal) (um bilhão no Brasil) de cartões com mensagens românticas são enviados a cada ano, tornando esse dia um dos mais lucrativos do ano. Também se estima que as mulheres comprem aproximadamente 85% de todos os presentes no Brasil.

O dia de São Valentim era até há algumas décadas uma festa comemorada principalmente em países anglo-saxões, mas ao longo do século XX o hábito estendeu-se a muitos outros países.

Aqui no Brasil

No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de Junho por ser véspera do 13 de Junho, Dia de Santo António, santo português com tradição de casamenteiro.

A data provavelmente surgiu no comércio paulista, quando o comerciante João Dória trouxe a ideia do exterior e a apresentou aos comerciantes. A ideia se expandiu pelo Brasil, amparada pela correlação com o Dia de São Valentim — que nos países do hemisfério norte ocorre em 14 de fevereiro e é utilizada para incentivar a troca de presentes entre os apaixonados.

Feliz dia dos namorados ou namoridos(para os casados(as))

Abraços e Paz

 

Os Gêneros Literários da Bíblia

Denomina-se “Gênero Literário” o conjunto de regras e elementos comuns a diversos textos, caracterizando e constituindo, assim, um tipo, um grupo, um conjunto. Sabemos que a mesma realidade pode ser narrada de várias maneiras. Um único fato pode ser transmitido de diferentes modos, dependendo da intenção de quem o transmite. Uma é a preocupação do jornalista, outra a de um teólogo, a de um filósofo ou a de um poeta. Assim sendo, o mesmo tema ou acontecimento ganhará, na pena de cada um deles, uma conotação ou abordagem distinta. O mesmo ocorre na Bíblia: “na Escritura as coisas divinas nos são apresentadas ao modo usual, humano” (Sto. Tomás de Aquino). A “mensagem que Deus transmite à humanidade é única, todavia, a Bíblia é uma verdadeira biblioteca, absolutamente assistemática, dos mais diversos escritos. Eles são, também quanto aos gêneros, muito diversificados” (N. Lohfink). 

 Desde o início do século passado, a questão dos gêneros literários da Bíblia vem se desenvolvendo. Entretanto, devido à sua complexidade, não se pode afirmar absolutamente, nem sequer quanto à conceituação, que as discussões se encerraram. Muitos estudiosos, como W. Richter, apontam enfaticamente as imprecisões que ainda persistem no conceito de gênero literário, aconselhando muita prudência quanto à sua aplicação. Contudo, a Igreja insiste que a procura do sentido literal da Escritura é uma tarefa essencial do exegeta (estudioso dos originais da Bíblia) e, para cumpri-la, é necessário determinar o gênero literário dos textos (cf. Dei Verbum, 12; A Interpretação da Bíblia na Igreja, I, A, 4).

A grande dificuldade consiste em se captar os gêneros literários da Bíblia a partir da compreensão européia de literatura (A. Läpple). Ora, “o que os orientais antigos pretenderam expressar com suas palavras não se pode determinar simplesmente pelas meras regras gramaticais ou filológicas, ou só a partir do contexto; o exegeta precisa, por assim dizer, retornar em espírito àquelas longínquas épocas do Oriente e, com o auxílio da História, da Arqueologia e outras ciências, determinar com exatidão quais gêneros literários os escritores daquelas prístinas eras quiseram usar e de fato usaram. Pois os orientais antigos nem sempre se servem, para exprimir seus pensamentos, das mesmas formas e modos que nós, mas sim dos que eram usuais entre os homens do seu tempo e da sua terra” (PIO XII, Divíno Afflante Spiritu, 3).

Para uma compreensão mais acurada dos gêneros literários na Bíblia, faz-se mister considerar três elementos essenciais: conteúdo, forma e contexto vital no qual o texto foi produzido. O conteúdo é o fato ou a mensagem que o autor deseja comunicar. A forma é o recurso literário por ele utilizado – “narrativa histórica”, “poema”, “fábula”, “novela”, “legenda”, “saga” etc. -, para transmitir a mensagem, ou conteúdo. O contexto vital – ou o termo técnico Sitz im Leben, em alemão – refere-se à situação concreta que está por trás do texto: a intenção do autor considerando os destinatários, sua cultura, seu horizonte de compreensão e suas interrogações, enfim, a vida que se esconde na origem do escrito. No longo processo de escrita da Bíblia, cerca de dois milênios, a história do povo de Israel e de toda a humanidade passou por grandes mutações de ordem política, religiosa e social. Da mesma forma, também os gêneros literários da Bíblia sofreram muitas transformações. Ao longo desse processo, muitos gêneros que, em certa época, eram muito apreciados caíram em desuso, dando lugar a novas formas de expressão. De fato, “um gênero literário perece quando perece seu público” (F. Nietzsche). Ora, nos textos da Bíblia, os mesmos temas foram retomados em tempos diversos e com finalidade e meios literários também diversos; “daí que não se pode dizer simplesmente que um escrito pertence basicamente a um só gênero. Pelo contrário, é muito freqüente falar-se de uma pluridimensionalidade de intenções e gêneros literários” (A. Läpple).

O conhecimento do gênero literário é imprescindível para se compreender corretamente a mensagem de um texto. Pode-se afirmar, de modo muito geral, que, na Bíblia, predominam formas literárias muito simples. De acordo com Otto Eissfeldt, pode-se distinguir os seguintes gêneros: Prosa, Gêneros dos provérbios e Cânticos. Exemplo de Prosa são os ditos, as pregações, as preces, os documentos legais e narrativas poéticas e históricas. Os Gêneros dos provérbios compreendem sentenças jurídicas, ditos cultuais, proféticos, sapienciais e de natureza diversa bem como adágios e enigmas. Na Bíblia, os Cânticos são abundantes: hinos, salmos, cantigas de colheita, amor e casamento, cantos fúnebres e satíricos, hinos régios e de vitória, hinos litúrgicos, poesia sapiencial. Entretanto, devem ser consideradas, também, formas particulares de gêneros literários, principalmente quando surgem dificuldades quanto aos dados históricos nas Sagradas Escrituras. Ora, se, no passado, a Bíblia, devido ao desconhecimento dos gêneros literários, foi interpretada “ao pé da letra”, agora, com o avanço das ciências bíblicas, corre-se o risco de não se tomar a sério, as informações históricas, geográficas e os dados escriturísticos. Por isso, os estudiosos da Bíblia recomendam considerar formas de expressão tão comum ao homem bíblico, como os “relatos etiológicos”, o “midrach” e o “simbolismo numérico”

No estudo dos Gêneros literários da Bíblia, recomenda-se, vivamente, que se levem em consideração certas formas de expressão muito comuns ao homem bíblico, como os “relatos etiológicos“, o “midrach” e o “simbolismo numérico“. Etiologia é a interpretação ou a explicação da origem de um fenômeno, de uma festa, de um rito, do nome de um lugar, ou de um costume do povo. Trata-se de encontrar em acontecimentos do passado a causa de experiências e de fatos do presente.

Em Israel, os relatos de etiologias surgiram, sobretudo, diante de situações de conflito e sofrimento, às quais a fé não dispunha de nenhuma informação para explicá-las e compreendê-las, daí recorrer a esse tipo de relatos para as interpretar, explicar e, de certa forma, as assimilar. As etiologias são, freqüentemente, determinadas por uma motivação “histórico-salvificante, pela qual se tenta aclarar a tensão entre um Deus bom e o mundo insuficiente com sua maldade, sofrimento e mortalidade do homem” (A. Läpple). O pensamento etiológico não se enraíza, pois, na mera curiosidade, no desejo de encontrar uma explicação lógica para certas expressões da vida e do culto popular, mas no desejo de se encontrar uma resposta, à luz da fé, para as mazelas inerentes à condição humana.

Os relatos etiológicos podem ser classificados segundo seu objetivo. Quando têm a intenção de explicar as relações de amor ou de ódio entre Israel e outro povo, denominam-se etiologias etnológicas: mediante genealogias artificiais, demonstra-se que o sentimento ora nutrido pelos israelitas em relação a outro povo tem sua origem numa aliança ou num desentendimento no passado com algum membro ilustre daquele povo.

Recorre-se à tiologia etimológica para explicar – mediante um vocábulo hebraico que soa de maneira semelhante – uma palavra de origem estrangeira cujo sentido original se perdeu. Portanto, basta uma simples afinidade eufônica para se registrar a origem de uma palavra. Um exemplo disso encontra-se em Gn 11,9, com a relação que se estabelece entre “Babel” e “Babilônia”, para se explicar a diversidade das línguas como conseqüência do orgulho e da vaidade humana.

Outra espécie de etiologia é a geográfica ou geológica. Trata-se de explicações para o nome de um lugar: “Fonte amarga” = Mara (Ex 15,22-25); “Contenda” = Meribá (Nm 20,2-13); “Vale da Uva” = Eskol (Nm 13,24-25); “Extermínio” = Hormá (Nm 21,1-13).

Há, ainda, a etiologia cultural-religiosa utilizada para explicar a origem divina e o sentido de certos costumes religiosos (circuncisão, santificação do sábado etc.) e de certas leis alimentares (não comer carne suína e sangue etc.).

Finalmente, as etiologias antropológicas, que visam explicar teologicamente realidades da existência humana como a dor, o sofrimento e a morte como conseqüências do julgamento punitivo de Deus.

Outra forma particular de gênero literário da Bíblia é o Midraxe (ou Midrash). Designa a exegese rabínica, muito minuciosa, verso por verso e, às vezes, letra por letra, do Antigo Testamento (AT). Esse tipo de escrito pode ser visto claramente na literatura do judaísmo e, também, pode ser encontrado tanto no AT como no Novo Testamento [NT] (Van den Born). Midraxe deriva do termo hebraico “darash“, que significa “perscrutar”, “procurar”, “explicar”, “investigar”. Na literatura rabínica, trata-se de um estudo, um comentário ou uma explicação de caráter homilético do AT. Pode-se distinguir dois tipos de midraxe: a halakhah (“caminho”, isto é, “conduta”) e a haggadah (“narração”). A halakhah é uma explicação da Lei e a haggadah é uma explicação das passagens narrativas do Pentateuco, com o objetivo de extrair delas lições edificantes (H. Schlesinger). O objetivo do midraxe é a aplicação prática do texto ao presente; assim, um preceito deve ser reafirmado ou um episódio usado, de modo a iluminar e orientar a vida do povo. Não há paralelos do midraxe na literatura grega e latina.

O AT contém muitos exemplos de midraxe, que é meditação edificante sobre um antigo discurso bíblico, reconstrução imaginosa de um episódio ou construção de um episódio fictício, com base nos princípios deduzidos do material bíblico. São exemplos de “midraschim” (assim é o plural hebraico): os relatos da criação (Gn 1), do dilúvio (Gn 6,9-22), do episódio dos patriarcas (Gn 12ss), do Êxodo (Ex 14ss) e da Aliança (Gn 19ss), etc. Esses relatos não têm a intenção de registrar a história do passado, mas sim de extrair ensinamentos da tradição bíblica.

O NT também contém certa quantidade de “midraschim“. Nos evangelhos, Mateus é particularmente apaixonado pelo midraxe. Mt 2,1-12 é escrito com base na reutilização de Nm 24,17; Mt 2,13-15 está construído com base em Os 11,1, e Mt 2,16-18 com base em Jr 31,15. Mt 2,23 liga Nazaré com Jz 13,5, com base na assonância com nazir (nazireu) e com Is 11,1 pela assonância com neçer, “rebento”. Mt 27,3 reúne Zc 11,12ss e Jr 32,6-15 e os aplica ao episódio registrado.

A narrativa da infância de Lc 1-2 é um esplêndido exemplo de midraxe. Com base em uma breve memória autêntica dos fatos, o relato é completado com uma antologia de citações extraídas do AT e apropriadas ao nascimento do Messias. Paulo, muitas vezes, recorre ao midraxe para aplicar o AT a um fato cristão (Gl 3-4). “O midraxe era algo sério e foi extremamente importante no desenvolvimento do pensamento judaico e da Igreja primitiva. Mas não podemos pensar que o midraxe seja uma explicação definitiva da Bíblia. Ele nasceu em uma situação histórica particular que era o seu contexto natural: enquanto tal não pode ser transferido para outra cultura, como também não podem ser transferidos outros modelos conceituais” (J. L. Mckenzie).

No estudo dos gêneros literários da Bíblia, faz-se mister abordar o valor simbólico dos números. Ora, no Oriente Antigo, o número não era só um valor aritmético, mas possuía também um sentido de fundo filosófico e religioso. Por isso, na Bíblia, os números, não raras vezes, são utilizados simbolicamente, destituídos de seu valor quantitativo: “Parece que este significado era simplesmente parte do uso comum e não parte de qualquer especulação numerológica” (J. L. Mckenzie).

Dessa forma, o uso do número “4″ deriva, provavelmente, dos 4 pontos cardeais, dos quais procedem os “4 ventos”. Também 4 são as estações do ano. Trata-se, pois, do número utilizado para se falar do mundo em que vivemos.

O número “6″ se refere ao tempo, à evolução, à história, à imperfeição (daí o “666“, a imperfeição absoluta).

Emprega-se o número “7″ para falar da perfeição, do definitivo, do divino, da bênção e da plenitude da vida. Por isso, o 7 determina a estrutura da narrativa da criação (Gn 1). O “sétimo dia” é o dia do descanso de Deus e o sabbat (dia de repouso), do homem. Na genealogia, Henoc é o sétimo patriarca, depois de Adão. Com notável freqüência, aparece o número simbólico 7, nos dados sobre a idade de Lamec que vivera 777 anos, sinônimo de uma vida plena e abençoada (Gn 5,25.28.30). Assim, quando completara 182 anos (= 26×7), nasce-lhe Noé, o continuador da sua estirpe. O tempo restante de sua vida abrange 595 (= 85×7). Em Nm 23,1, os ritos de Balaão giram em torno do número 7 (7 novilhos, 7 carneiros e 7 altares). Os israelitas marcharam 7 dias em volta de Jericó, com 7 sacerdotes (Js 6,1ss). O sétimo ano é o Ano Sabático. Em Jr 15,9, o luto se abate sobre a mãe de 7 filhos, e se afirma que a matriarca Rute “vale mais que 7 filhos” (Rt 4,15). No Novo Testamento, Jesus diz a Pedro de perdoar “70×7” (Mt 8,21-22), ou seja, “sempre”. Sete são os primeiros diáconos da Igreja (At 6,3ss). No Apocalipse, o número 7 está por toda a parte: 7 Igrejas (1,4), 7 espíritos de Deus (1,4), 7 lâmpadas (4,5), 7 selos (5,1), 7 anjos (8,2), 7 trombetas (8,2), o dragão possui 7 cabeças (12,3), 7 são também as cabeças da Besta (13,1), 7 pragas (15,1), 7 taças (15,7): tudo isso para transmitir a idéia de totalidade e de plenitude.

O número 10 é preferido para as épocas históricas. Trata-se de um número redondo (2×5, a soma dos dedos) muito freqüente. É o número santo que já se acha nas palavras de Deus, pelas quais toda a criação foi chamada à existência (Gn 1); assim também na enumeração dos patriarcas, de Adão a Noé, bem como nos Mandamentos da Lei de Deus (Decálogo).

O significado do 12 deriva do sistema sexagesimal sumério, que sobrevive em nossa dúzia. 12 são os filhos de Jacó, que deram origem às 12 tribos de Israel. 12 são os Apóstolos de Jesus. Também com uma idéia de plenitude e de perfeição.

Vimos que, na Bíblia, certos números têm um valor convencional que ultrapassa seu valor aritmético. Apontamos o uso dos números 4, 6, 7, 10 e 12. Hoje, analisaremos outros números (2, 3, 40, 70 e 144.000), bem como as idades dos patriarcas. Com o presente artigo, concluiremos a abordagem sobre os gêneros literários na Bíblia. Contudo, por se tratar de algo assaz complexo e controvertido, voltaremos a essa questão, quando se fizer necessário. O número 2 pode significar “alguns poucos” (Nm 9,22; Dt 32,30; Os 6,2). O “dobro” é sinônimo de “bastante“, “mais do que suficiente” (Is 40,2; 61,7; Jr 16,18; Zc 9,12; Ap 18,6).

O 3 tem um papel em certos ritos (1Rs 17,21). Geralmente, indica algo referente a Deus ou à Sua vontade (Mt 17,4; 18,20; Mc 14,58; At 10,16; 1Cor 13,13; 2Cor 12,8; 1Jo 5,7).

O número 40 indica a duração de uma geração ou de um período bastante longo, cuja duração exata é desconhecida, ou algo difícil de se calcular (“nas línguas persa e turca a ‘centopéia’ é chamada ‘quarentopéia’“, Van der Born). 40 são os dias do dilúvio (Gn 7,12) e a idade núbil para Isaac (Gn 25,20). Os 40 anos do reinado de Davi (2Sam 5,4), os 40 dias da viagem de Elias (1Rs 19,8) e os 40 dias de jejum de Jesus no deserto (Mt 4,3; Mc 1,13; Lc 4,2), bem como os 40 dias que Jesus permaneceu na terra depois da ressurreição (At 1,3) são referências deliberadas aos 40 anos que Israel peregrinou no deserto (Ex 16,35; Nm 14,33; Dt 29,5).

Setenta é também um número redondo, de dimensões desconhecidas. Os filhos de Israel eram 70, por ocasião de sua entrada no Egito (Gn 46,27; Ex 1,15). Os anos do exílio são 70 (Jr 25,11). Há 70 anciãos de Israel (Nm 11,24). 70 anos são o tempo ideal de vida de um homem (Sl 90,10).

Ademais, podemos mencionar o número de 144.000 dos “assinalados” (Ap 7, 4ss; 14,1ss). Trata-se do quadrado de 12, número sagrado (o número das tribos de Israel e dos Apóstolos), multiplicado por mil, número de uma unidade militar no antigo exército israelita. Portanto, 144.000 indica a plenitude de Israel e da Igreja celestial em sua completude final.

Somente munidos de tais informações é que compreenderemos os dados relativos à idade dos patriarcas Abraão (175 anos), Isaac (180 anos) e Jacó (147). A decifração do simbolismo dos números lançou nova luz sobre este problema. Hoje, afirma-se com precisão que tais números não devem ser compreendidos como uma informação cronológica exata, mas como um dado teológico, que visa asseverar que foram largamente abençoados por Deus. Por isso, dever-se-á dispensar aquelas tentativas incômodas para tentar explicar a idade elevada dos patriarcas. Lembremo-nos que, nessa época, ainda não se tinha a concepção da vida eterna. Portanto, a retribuição divina se daria ainda nesta vida. Daí que numerosos anos de vida eram considerados como prêmio, bênção, e certeza da proteção divina para o fiel.

Pe. Ariosvaldo

Que possamos nos aprofundar ainda mais nos conhecimentos da Sagrada Escritura!

Paz amados(as)

Corpus Christi

Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo) é uma festa Cristã. É um evento baseado em tradições católicas. É realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma festa de ‘preceito’, isto é, para os católicos é de comparecimento obrigatório participar da Missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.

A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito Canônico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, “para testemunhar publicamente a adoração e a veneração para com a Santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo.” É recomendado que nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, não se ausente da diocese o Bispo (cân. 395).

História

A celebração de Corpus Christi é uma festa religiosa realizada na primeira quinta-feira depois do Domingo da Santíssima Trindade. É nesta festa que se comemora a institucionalização da Eucaristia. A data foi oficializada pela Igreja em 1264 e São Tomás de Aquino foi um dos seus ardorosos defensores e divulgadores.

O objetivo da comemoração é resgatar a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, dias antes de ser crucificado. A festa marca a introdução da Eucaristia nas missas. A palavra Corpus Christi é de origem latina e significa Corpo de Cristo, que nas celebrações da Igreja Católica, é a hóstia consagrada.

Pe. Pedro de Braga da República de Tcheca influenciado por falsas doutrinas começou a ter dúvidas sobre a presença real de Jesus na Eucaristia. Não era por sua culpa, mas devido as doutrinas que foram tomando conta da cidade.

Ele estava sendo influenciado, mas como era um bom padre, ele fez o propósito de ir até Roma para buscar a verdadeira fé. Ele fez essa peregrinação para reavivar a fé na Igreja. Embora tendo dúvidas ele celebrava todos os dias, pois tinha fé na Igreja.

Celebrando, antes de dizer as palavras da consagração, Pe. Pedro levantou a Hóstia e sentiu escorrer uma coisa quente em suas mãos, era Sangue vindo da Hóstia, era o sinal de Deus para ele. O Sangue foi caindo no altar sobre o corporal até chegar ao mármore, ainda hoje se encontra as marcas de sangue sobre o mármore.

Ele buscou ajuda, então guardaram a Hóstia toda cheia de sangue. Uma religiosa havia pedido ao Papa para celebrar a Festa da Eucaristia, e ele pediu a Deus um sinal para saber se era Deus que queria essa festa ou se era algo humano.

Quando o Papa ouviu dizer o que havia acontecido, foi ao encontro do milagre, e ao ver a Hóstia cheia de Sangue se ajoelhou e disse: Corpus Christi. Pegou as hóstias e os objetos e levou para a cidade, tomando todo o fato como sinal de Deus.

Ele colocou o corporal com Jesus, que estavam cheios de Sangue, no hostensório e andou pelas ruas. Com a passagem de Jesus todos enfeitaram suas ruas, e é por isso que até hoje essa festa vem se repetindo, tudo para Cristo Rei.

É Jesus salvador que vem até nós para curar nossas chagas. No evangelho vemos aquela mulher que tinha um fluxo de sangue crônico, a saúde dela estava deficitária, como essa mulher sofreu, gastou todo o dinheiro sem nada conseguir. Foi difícil para ela chegar até Jesus, pois ela O considerava santo. Então foi por traz e tocou na barra de seu manto, e Jesus sentiu que uma força curadora havia saído d’Ele.

Talvez você se sinta como essa mulher impura, com medo de chegar até Jesus, mas Ele sabe de tudo, Ele tudo vê. Talvez você se sinta hoje uma pessoa destruída, não por você, mas por alguém, talvez você se sinta como um “cachorrinho”, mas até mesmo um cachorro procura a presença do seu dono.

Jesus está dizendo: tenha fé, confiança, mesmo que você esteja se achando indigno você veio e sua fé te salvou. Deus vai reconstruir sua vida. Ponha sua vida inteira aos pés de Jesus. Você se encontrou com o Sangue de Jesus que pode te salvar.

É Jesus que desce da cruz e levanta você dizendo: “Tenha confiança meu filho, tua fé te salvou, não caias mais”. 

A festa de Corpus Christi foi decretada em 1269.

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XII. A Igreja Católica sentiu necessidade de realçar a presença real do “Cristo todo” no pão consagrado. Esta necessidade se aliava ao desejo do homem medieval de “contemplar” as coisas.

Surgiu então, nesta época, o costume de elevar a hóstia depois da consagração. Disseminava-se uma controvertida piedade eucarística, chegando ao ponto das pessoas irem à igreja mais “verem” a hóstia do que para participarem efetivamente da eucaristia.

A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes. O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico.

Juliana nasceu em Liège em 1192 e participava da paróquia Saint Martin. Com 14 anos, em 1206, entrou para o convento das agostinianas em Mont Cornillon, na periferia de Liège. Com 17 anos, em 1209, começou a ter ‘visões’ (que retratavam um disco lunar dentro do qual havia uma parte escura. Isto foi interpretado como sendo uma ausência de uma festa eucarística no calendário litúrgico para agradecer o sacramento da Eucaristia). Com 38 anos, em 1230, confidenciou esse segredo ao arcediago de Liège, que 31 anos depois, por três anos, será o Papa Urbano IV (1261-1264), e tornará mundial a Festa de Corpus Christi, pouco antes de morrer.

A ‘Fête Dieu’ começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização do arcediago para procissão eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia. Em 1247, aconteceu a 1ª procissão eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa nacional na Bélgica.

A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264, 6 anos após a morte de irmã Juliana em 1258, com 66 anos. Santa Juliana de Mont Cornillon foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII.

O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma é encontrada desde 1350.

O ofício divino, seus hinos e o Hino ‘Lauda Sion Salvatorem’ são de Santo Tomás de Aquino (1223-1274), que estudou em Colônia com Santo Alberto Magno. Corpus Christi tomou seu caráter universal definitivo, 50 anos depois de Urbano IV, a partir do século XIV, quando o Papa Clemente V, em 1313, confirmou a Bula de Urbano IV nas Constituições Clementinas do Corpus Júris, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial. Em 1317, o Papa João XXII publicou esse Corpus Júris com o dever de levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas.

O Concílio de Trento (1545-1563), por causa dos protestantes, da Reforma de Lutero, dos que negavam a presença real de Cristo na Eucaristia, fortaleceu o decreto da instituição da Festa de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a Procissão Eucarística pelas ruas da cidade, como ação de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública da fé na presença real de Cristo na Eucaristia.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu corpo…isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, durante a missa de Corpus Christi  o celebrante consagra duas hóstias: uma é consumida e a outra, apresentada aos fiéis para adoração. Essa hóstia permanece no meio da comunidade, como sinal da presença de Cristo vivo no coração de sua Igreja. 

Corpus Christi é celebrado 60 dias após a Páscoa podendo cair, assim, entre as datas de 21 de maio e 24 de junho.

A Festa no Brasil

Em muitas cidades portuguesas e brasileiras é costume ornamentar as ruas por onde passa a procissão com tapetes de colorido vivo e desenhos de inspiração religiosa. Esta festividade de longa data se constitui uma tradição no Brasil, principalmente nas cidades históricas, que se revestem de práticas antigas e tradicionais e que são embelezadas com decorações de acordo com costumes locais.

Em Pirenópolis, Goiás, é uma tradição os tapetes de serragem colorida e flores do cerrado, cobrindo as ruas por onde passa-se a procissão de Corpus Christi, também enfeita-se cinco altares para a adoração do Santíssimo Sacramento, e execução do cântico latino Tamtum Ergo Sacramentum, esta procissão é acompanhada pela Irmandade do Santíssimo Sacramento e pela Orquestra e Coral Nossa Senhora do Rosário. É neste dia que o Imperador do Divino recebe a coroa para a realização da Festa do Divino de Pirenópolis, do ano seguinte.

Em Castelo, no estado do Espírito Santo, as ruas são decoradas com enormes tapetes coloridos formados por flores, serragem colorida e grãos.

O município de Matão, São Paulo, é famoso por seus tapetes coloridos feitos de vidro moído,dolomitas,serragem e flores que formam uma cruz que se estendem por 12 quarteirões no centro da cidade onde passa a procissão da eucaristia,um espetáculo que reúne fé, tradição, arte e muita beleza. No ano de 2011 Matão realiza a 63ª edição do Corpus Christi,onde mais de 70 toneladas de materiais foram usados para compor os desenhos.A expectativa dos organizadores é que o evento atrairia um público total de 80 mil pessoas. A praça de alimentação do evento fica por conta das entidades filantrópicas da cidade.

A cidade de Mariana, Minas Gerais, comemora a festa de Corpus Christ’i’ enfeitando as ruas com tapetes de serragem e pinturas.

As cidades paulistas de Jaguariúna, Santo André, Santana de Parnaíba, São Joaquim da Barra, além da baiana Jacobina, também seguem o mesmo estilo, as ruas ao redor da matriz são enfeitadas com serragem, raspa de couro, areias coloridas – tudo o que a criatividade proporciona para este dia santo.

Em Caieiras, a juventude da cidade promove com sua criatividade tapetes que se estendem no trajeto da procissão deste solene dia, desde a Igreja Matriz de Santo Antonio até a igreja de São Francisco de Assis, um trabalho que dura doze horas e é coroado com a procissão luminosa em torno ao Santíssimo Sacramento.

Em Porto Ferreira, a festa tem como finalidade a partilha, em comunhão com as três paróquias da cidade. Arrecadam-se alimentos que integram os enfeites nas ruas por onde o Santíssimo Sacramento passa e, após a solenidade, são doados a famílias que são assistidas por pastorais, como a Pastoral da Criança e Pastoral da Saúde. Esta iniciativa é realizada desde 2008.

Em Borborema (SP), as ruas são decoradas com enxovais, bordados e artesanatos, produzidos pelas mais de 50 lojas e fábricas da cidade. Após a procissão, tudo é vendido e a renda revertida ao Lar de Idosos São Sebastião.

Em Portugal

Em todas as 20 dioceses de Portugal fazem-se solenes procissões a partir da igreja catedral, tal como em muitas outras localidades, que são muito participadas. Estas procissões atingem o seu esplendor máximo em Braga, Porto e Lisboa.

Ordenada por D. Dinis, a festa do Corpus Christi começou a ser celebrada em 1282, embora haja referências à sua comemoração desde os tempos de Dom Afonso III.[1] Em Portugal a festa de longa tradição era antigamente celebrada com danças, folias, e procissões em que sagrado e o profano se misturavam. Representantes de várias profissões, carros alegóricos, diabos, a serpe,a coca, gigantones, ao som de gaitas de foles e outros instrumentos desfilavam pelas ruas.[2] Das danças dos ofícios, em Penafiel ainda se celebra o baile dos ferreiros, o baile dos pedreiros e o baile das floreiras.[3][4]

Esta celebração tem uma conotação muito forte no Minho, particularmente em Monção e em Ponte do Lima.

Em Ponte de Lima, a tradição d´O Corpo de Deus perdura já há vários séculos.

O Corpo de Deus é celebrado no 60º dia após a Páscoa, ou mais correctamente na Quinta-feira que se segue ao Domingo da Santíssima Trindade (que por sua vez é o primeiro Domingo a seguir ao Pentecostes) seguindo a norma canónica. A diferença prende-se no facto de no dia posterior ao feriado nacional, se realizar uma celebração, própria e exclusiva da vila, tendo sido decretado desde 1977 feriado para todos os Limianos.

As celebrações do Corpo de Deus realizam-se durante todo o dia, sendo os Limianos presenteados com uma procissão da parte da manhã e outra da parte da tarde em volta da vila e uma missa para todos os habitantes do Concelho no próprio dia, sempre ao meio dia (12h00), na Igreja Matriz.

Em Braga, é também tradição desde 1923 a presença maciça de Escuteiros do Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português, pois foi nessa procissão que os mesmos se apresentaram em público naquele ano.

Veja mais em : http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/2001/documents/hf_jp-ii_hom_20010614_corpus-domini_po.html

http://www.paginaoriente.com/anoeclesiastico/corpuschristi.htm

Abraços e Paz amados(as), bom feriado a todos(as)

Anátema

(1)O apóstolo Paulo revela a atitude, inspirada pelo Espírito Santo, de julgamento e indignação para com aqueles que procuram perverter o evangelho original de Cristo e mudar a verdade do testemunho apostólico. Igual atitude evidenciava-se em Jesus Cristo (Mt 23.13), em Pedro (2 Pe 2), em João (2 Jo 7-11), e se achará no coração de todo seguidor de Cristo que ama o seu evangelho, conforme é revelado na Palavra de Deus e crê que o evangelho é a imprescindível boa nova da salvação para o mundo perdido no pecado (Rm 10.14,15).
(2) Malditos (“anátema*”) são todos os que pregam um evangelho contrário à mensagem que Paulo pregava de acordo com a revelação que Cristo lhe dera (Gl 1.11,12). Quem acrescenta ou tira algo do evangelho original e fundamental de Cristo e dos apóstolos fica sujeito à maldição divina: “Deus tirará a sua parte do livro da vida” (Ap 22.18,19).

(3) Deus ordena os crentes a defenderem a fé, a corrigirem os errados com amor (2 Tm 2.25, 26) e a se separarem dos mestres, pastores e outros que na igreja negam as verdades bíblicas fundamentais, ensinadas por Jesus e os apóstolos (Cl 1.8,9; Rm 16.17, 18; 2 Co 6.17). Essas verdades incluem:

(a) a deidade de Cristo e seu nascimento virginal (Mt 1.23);
(b) a plena inspiração e autoridade da Palavra de Deus em tudo quanto ela ensina;
(c) a historicidade da queda de Adão (Rm 5.12-19);
(d) a corrupção inerente na natureza humana (Gn 6.5; 8.21; Rm 1.21-32; 3.10-18; 7.14-21);
(e) a condição perdida da raça humana sem Cristo (Rm 1.16-32; 10.13-15);
(f) a salvação pela graça mediante a fé em Cristo como Senhor e Salvador efetuada pela expiação através de sua morte e do seu sangue (Rm 3.24,25; 5.10);
(g) a ressurreição corporal de Cristo (1 Co 15.3,4);
(h) a realidade histórica dos milagres, tanto no AT como no NT (1 Co 10.1);
(i) a realidade da existência de Satanás e dos demônios como seres de ordem espiritual (Mt 4.1; 8.28; 2 Co 4.4; Ef 2.2; 6.11; 1 Pe 5.8);
(j) o ensino bíblico a respeito do inferno (Mt 10.28);
(k) a volta literal de Jesus Cristo à terra (Jo 14.3; At 1.11; 1 Co 1.7; Ap 19.11).

(4) Trechos bíblicos semelhantes que advertem contra os falsos mestres: (Rm 16.17; 2 Pe 2.17-22; 2 Jo 9.11; Jd 12.13);
14.07.2010

*Anátema (do grego antigo ἀνάϑημα, “oferta votiva” e, depois, ἀνάϑεμα, “maldição”; derivadas de ἀνατίϑημι, “dedicar”) era, na Grécia Antiga, uma oferenda posta no templo de uma deidade, constituída inicialmente por frutas ou animais e, posteriormente, por armas, estátuas, etc. Seu objetivo era agradecer por uma vitória ou outro evento favorável.

No cristianismo

No cristianismo, é a maior e a pior sentença de excomunhão da Igreja, onde o anátemo, além de ser expulso da igreja com todos seus ritos eucarísticos e todas as atividades voltadas ao fiéis, ainda é considerado como amaldiçoado pelo sacerdote. Os anátemas acontecem em celebrações públicas e são feitas por pontífices maiores, como bispos e cardeais. Em algumas tradições cristãs existem ritos específicos para o anátema.[1]. O anátema é o mais severo caso de excomunhão, ocorrendo somente nos piores casos possíveis de heresia contra a fé.
O célebre caso biblíco é o de Saul que invade os amalequitas, mas acaba (com o apoio do povo ou sob a pressão deste) poupando a vida de Agag e da melhor parte do gado dos amalequistas, ato que Samuel interpreta como transgressor (uma vez que Saul mente dizendo que iria sacrificá-los para Deus), tirando-o da qualidade de rei e abrindo portas para David assumir o cargo.[2]

O apóstolo Paulo relata o termo em uma de suas cartas sobre a inconstância dos Gálatas nas doutrinas pregadas nas igrejas:

“Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. ” Gálatas 1:6-8

“Portanto vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: ‘Jesus é anátema.’ E ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo.” I Coríntios 12:3

1.anátema
(grego )

adj. 2 g.
adj. 2 g.
adj. 2 g.
1. Maldito, excomungado.
s. m.
s. m.
2. Excomunhão com execração.
3. Pessoa anatematizada.
 
2. História do Velho Testamento recontada por Moacir Scliar

A Palavra “Anathema” e seu significado
por São João Maximovitch
da Vida Ortodoxa, vol 27, Mar-Abril de 1977, pp 18,19


A palavra grega “anátema” consiste em duas palavras: “Ana”, que é uma preposição que indica movimento para cima e “Thema”, o que significa que uma parte separada de alguma coisa. Na terminologia militar, “thema” significava um destacamento; no governo civil “thema” significava uma província. Atualmente usamos a palavra “tema”, derivado de “thema”, para significar um tópico específico de uma obra escrita e intelectual.

“Anathema” significa literalmente a levantar-se de algo separado. No Antigo Testamento, esta expressão foi usada tanto em relação ao que foi alienado devido ao pecado e da mesma forma ao que foi dedicado a Deus.

No Novo Testamento, nos escritos do Apóstolo Paulo que é usado uma vez em conjunto com “maranatha”, que significa a vinda do Senhor. A combinação destas palavras significa separação, até a vinda do Senhor, em outras palavras – a ser entregue a Ele (1 Coríntios 16:22).

O apóstolo Paulo usa “anátema” em outro lugar sem a adição de “maranatha” (Gal 1:8-9). Aqui “anátema” é proclamado contra a distorção do Evangelho de Cristo tal como foi pregado pelo Apóstolo, não importa por quem este pode ser comprometida, quer pelo próprio apóstolo ou um anjo dos céus. Nesta mesma expressão, há também implícita: “deixe que o próprio Senhor julgar”, para quem pode julgar os anjos?

São João, o Teólogo no Apocalipse (22:3) diz que na Nova Jerusalém não haverá qualquer anátema, o que pode ser entendida de duas maneiras, dando a palavra anátema ambos os sentidos: 1) não haverá qualquer levantamento até o julgamento de Deus, para este julgamento já foi realizado; 2) não haverá qualquer dedicação especial a Deus, por todas as coisas serão as coisas santas de Deus, assim como a luz de Deus ilumina tudo (Ap 21:23).

Nos atos dos Conselhos eo curso ulterior da Igreja do Novo Testamento de Cristo, a palavra “anátema” passou a significar separação completa da Igreja. “A Igreja Católica e Apostólica anathematizes”, “seja anátema”, “que seja anátema”, significa uma completa ruptura longe da igreja. Enquanto nos casos de “separação da comunhão da Igreja” e epitimia outro ou penitências impostas a uma pessoa, a pessoa continuou a ser um membro da Igreja, apesar de sua participação na sua graça cheia de vida era limitada, os entregue ao anátema eram assim, completamente arrancado dela até o seu arrependimento. Percebendo que ela é incapaz de fazer qualquer coisa para a sua salvação, em vista de sua teimosia e dureza de coração, a Igreja terrestre eleva-os até o julgamento de Deus. Esse julgamento é misericordioso para com os pecadores arrependidos, mas terrível para os inimigos mais difíceis de Deus. “É uma coisa terrível cair nas mãos do Deus vivo … para o nosso Deus é um fogo consumidor” (Hb 10:31; 12:29).

Anathema não é a condenação final: até que a morte é possível arrependimento. “Anathema” não é temível porque a Igreja deseja a ninguém mal ou Deus procura sua condenação. Eles desejam que todos sejam salvos. Mas é terrível para estar diante da presença de Deus no estado de mal temperado: nada é escondido dEle.

Que este post nos ajude a entender e ajudar na caminhada do entendimento das escrituras sagradas, amém!

Paz amados(as)